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“Morreu nos meus braços”, diz mãe de bebê morta por dengue e Covid

Família buscou assistência médica para bebê por 4 dias, em hospitais da rede pública e UBS. Helena foi liberada das unidades e morreu na 4ª

 

Jade AbreuIsadora Teixeira

04/03/2024 15:53, atualizado 04/03/2024 16:12

 

A longa peregrinação de uma família por hospitais da rede pública de saúde do Distrito Federal teve um desfecho trágico. Por quatro dias, Gabriela Alves Martins de Oliveira buscou assistência para a filha, Helena, nas unidades de saúde, mas foi liberada do local. Em depoimento, a mãe contou que a criança de apenas 8 meses de vida morreu de dengue e Covid-19 na manhã de quarta-feira (28/2), nos seus braços, no Hospital de Planaltina

 

“Quando foi de manhã, tudo aconteceu. Ela já estava bem molinha. Fui dar um banho e as extremidades dela estavam frias, tentei dar leite e ela já não quis. Ela morreu nos meus braços, não teve jeito. Chegou no hospital já morta”, relatou.

 

“Colocaram oxímetro nela, mas já não estava respondendo. No Hospital de Planaltina tive todo amparo, ficaram uma hora tentando reanimar ela. Se houve erro, foi no Hospital de Sobradinho”, disse. Gabriela contou que, em nenhum momento foi informada sobre possibilidade de a menina ter sido infectada por Covid.

 

Gabriela contou que a filha começou a passar mal no domingo (25/2). A família buscou atendimento na rede pública de saúde para a criança pelo menos quatro vezes antes do óbito, mas a menina não foi internada.

 

Segundo ela, a filha teve febre no domingo e foi levada ao Hospital de Planaltina, mas a bebê teria sido liberada. “Ela teve um episódio de vômito, mas como não tinha mais febre, [o hospital] me mandou embora para casa. Não me falou nada de Covid”, contou.

 

“Ninguém pediu exame de Covid. Só depois que ela foi a óbito. Por isso é que demorou 24 horas para liberar o corpo da minha filha, o que foi muito ruim”, relatou a mãe da criança.

 

No dia seguinte, segunda-feira (26/2), a criança foi levada à unidade básica de saúde (UBS). No local, segundo a mãe, Helena foi bem atendida e lá os profissionais de saúde fizeram o teste de dengue e a orientaram a fazer o exame de hemograma, para contar as plaquetas.

 

A mãe disse que ficou “desesperada” e decidiu procurar o Hospital Regional de Sobradinho, ainda na segunda-feira, onde esperou por sete horas e foi atendida depois de procurar a direção da unidade de saúde.

 

“No Hospital de Sobradinho, colocaram pulseira laranja nela e fiquei sete horas esperando por atendimento. A médica falou que não era nada, fez hemograma, colocou um acesso nela, deu soro. Aí a doutora falou: ‘Não vou manter ela aqui porque está sem febre, está urinando, então a gente entende que não tem nada’”, relatou Gabriela.

 

Na terça-feira (27/2), Gabriela disse que levou a filha à UBS durante o dia. A mãe comprou dipirona, paracetamol e soro para dar em casa. À noite, a menina piorou e vomitou seis vezes. Segundo a mãe, a criança, apesar dos vômitos, sentia “uma sede louca”. “Ela vomitou seis vezes à noite, porém, tomava leite e água. Ela sentiu uma sede louca, muita sede. Ela vomitava e mamava. Mas não deu febre”, disse.

 

O corpo da criança foi sepultado no Cemitério de Planaltina sob forte comoção. Os familiares e amigos soltaram balões brancos e rosas em homenagem à Helena. Veja:

 

Após a morte da filha, Gabriela quer fazer um alerta para todas as mães. “Venho fazer esse relato e essa denúncia, pois minha filha faleceu por não ter tido o atendimento adequado em Sobradinho. Ela deveria ter sido internada e foi mandada para casa”, lamentou.

 

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O que diz a SES-DF

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) disse, em nota enviada à coluna, que a paciente em questão passou pela triagem do Hospital Regional de Planaltina, onde recebeu classificação verde, de acordo com o protocolo de classificação de risco. “O hospital, no momento do atendimento, estava em bandeira vermelha, ou seja, priorizando os casos mais graves, com risco de morte”, pontuou.

“Ao procurar o Hospital Regional Sobradinho, a paciente passou pela triagem, foi acolhida e avaliada, recebendo hidratação. Recebeu alta hospitalar, já que não havia alterações clínicas ou ambulatoriais, naquele momento, que indicassem a internação. A família foi orientada a manter hidratação oral e a retornar à uma unidade de saúde, caso houvesse alguma alteração no estado clínico”, disse.

“Com a evolução do quadro, a família retornou ao HRP, onde a criança já deu entrada com quadro de parada cardíaca. Foram iniciadas as manobras de reanimação mas, infelizmente, ela não respondeu aos procedimentos. A pasta esclarece que o óbito está sendo avaliado pela comissão de investigação de óbitos da região de Saúde Norte”, concluiu a SES-DF.