Jovem de 15 anos morre após ir à UPA com dor de dente no DF; família denuncia negligência

Jovem de 15 anos morre após ir à UPA com dor de dente no DF; família denuncia negligência

 

Maria Luiza procurou UPA em Sobradinho duas vezes antes de ser internada em estado grave. Exame indicou sangue no tórax; caso é investigado como morte suspeita pela Polícia Civil.

 

Por Clara Avendaño, Marcelo TobiasTúlio Amâncio, TV Globo

 

19/08/2026 19h33  Atualizado há um dia

 

A adolescente Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, morreu após passar por uma sequência de atendimentos de saúde sem sucesso no Distrito Federal.

 

A menina foi velada pela família nesta quarta-feira (19), no cemitério de Sobradinho.

 

Segundo a família, no sábado (8), Maria Luiza foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho queixando-se de dor de dente. Ela foi medicada e liberada.

 

No dia seguinte, a adolescente voltou a procurar atendimento na mesma unidade. Novamente, foram prescritos medicamentos e dada a orientação para continuar o tratamento em casa.

 

Três dias depois, na quarta-feira (12), a jovem retornou à UPA com sintomas mais graves, como falta de ar, náuseas, dor de cabeça e sonolência. Maria Luiza foi então transferida para o Hospital da Criança e internada na UTI pediátrica em estado gravíssimo.

 

Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, morreu após passar por uma sequência de atendimentos na UPA de Sobradinho, no DF. — Foto: Arquivo Pessoal

 

Maria Luiza Abreu Estevam

 

Ela não resistiu e morreu na quinta-feira (13).

 

Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) disse que lamenta profundamente o falecimento da adolescente e que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.

 

Causa da morte

 

De acordo com o relatório do Serviço de Verificação de Óbito, o quadro da jovem evoluiu para sepse — uma infecção generalizada.

 

No hospital, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e, em seguida, teve mais duas paradas, uma delas com duração de 24 minutos e 50 segundos, além de outras duas de quatro minutos cada. A morte foi declarada às 20h20.

 

Após a morte, um exame identificou a presença de dois vírus causadores de gripe: rinovírus e influenza B. A necropsia também encontrou cerca de 300 mililitros de sangue acumulados dentro do tórax, ao redor do pulmão, configurando um quadro de hemotórax. O relatório aponta que o sangramento pode ter contribuído para a morte.

 

Por orientação do Serviço de Verificação de Óbito, que identificou a alteração durante o exame do corpo, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil no último domingo (16).

 

O caso é investigado como morte suspeita. Na declaração de óbito, a causa aparece como “a esclarecer por exames complementares”.

 

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‘Ninguém fez nada’, diz família

 

A família questiona se a gravidade do quadro foi identificada a tempo e se todos os procedimentos necessários foram adotados antes da transferência.

 

“Ninguém fez nada pra poder parar aquela dor. Uma criança que tinha asma e não foi atendida da maneira correta”, lamentou o pai da adolescente, André Abreu.

 

O pai cobra respostas e punição. “Eu espero a resposta, não só a resposta como a justiça, né? Porque se a pessoa fez isso com a minha filha, que não tinha como se defender, imagina o que que ela pode fazer com outras crianças”, afirmou.

 

André ressalta que os sintomas da filha indicavam um problema maior.

 

“Eles estão tirando a própria responsabilidade deles e colocando em cima da do pai e da mãe, como se o pai e a mãe fossem médicos. Nós sabíamos que o da nossa filha não era só a dor de dente. Tinha alguma coisa a mais, porque não tinha como uma criança com asma estar com o rosto queimando, os braços não sentindo os braços, tava sem conseguir comer”, declarou.

 

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