Delator do Banco Master, Antônio Freixo foi ‘ganhador’ 570 vezes de prêmios e apostas que somam mais de R$ 176 milhões, diz MP
Empresário é um dos alvos da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta (24) contra um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Por Isabela Leite, GloboNews — São Paulo
24/09/2026 09h37 Atualizado há 25 minutos
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações ligadas a apostas e prêmios entre 2020 e 2025, em operações que somam R$ 176,4 milhões, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo.
Freixo é um dos alvos de busca e apreensão da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (24) contra um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
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As loterias não são investigadas e não fazem parte do suposto esquema.
Freixo ficou conhecido nas investigações do Banco Master após fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação, assinada em agosto e homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhou operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, que era dono do extinto banco.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações ligadas a apostas e prêmios entre 2020 e 2025, em operações que somam R$ 176,4 milhões, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo.
Freixo é um dos alvos de busca e apreensão da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (24) contra um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
As loterias não são investigadas e não fazem parte do suposto esquema.
Freixo ficou conhecido nas investigações do Banco Master após fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação, assinada em agosto e homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhou operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, que era dono do extinto banco.
O empresário é apontado pela investigação como líder do Grupo Entre Investimentos e como um dos principais prestadores de serviços de blindagem financeira e lavagem de capitais para a organização criminosa atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”. Os dois são investigados como integrantes da organização criminosa.
Segundo o MP, as comunicações sobre os prêmios e apostas foram reportadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por apresentarem sinais considerados atípicos e possíveis indícios de lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação, Freixo aparece em todas as 570 comunicações na condição de “ganhador”.
A investigação afirma que a frequência incomum das premiações, o volume movimentado e o uso de casas lotéricas chamaram atenção dos órgãos de controle. Para o MP, esse tipo de operação pode, em tese, ser usado para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
Os promotores também apontam um padrão de triangulação das apostas: terceiros fariam os jogos, mas os prêmios seriam transferidos diretamente para contas de empresas ligadas a Freixo, como a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Em um dos exemplos citados na investigação, uma aposta atribuída a Patrick Saulo Alves Lacerda teria gerado um prêmio de R$ 2.389,33 enviado à conta da Cactus.
De acordo com o MP, a frequência das premiações e a forma como os valores eram movimentados indicam que os 570 registros poderiam fazer parte de uma estratégia para dissimular a origem dos recursos, em vez de representar ganhos efetivos com apostas por sorte. Os promotores afirmam que o padrão pode indicar o uso de apostas como etapa de “reciclagem do dinheiro”.
Relação com a Carbono Oculto
Diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de 3ª fase da Operação Carbono Oculto
A ligação de Freixo com a investigação sobre combustíveis aparece por meio de empresas relacionadas a ele.
Segundo o Ministério Público, a EntrePay recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech que teria sido usada por empresas ligadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que estão foragidos.
Outra empresa de Freixo, a Entre Investimentos, repassou R$ 620 mil à Quimicolor, apontada na investigação como parte de uma estrutura relacionada a pagamentos envolvendo metanol que teria sido desviado para adulteração de combustíveis.
A existência dessas transações não significa que Freixo tenha sido apontado como integrante da organização criminosa. A investigação busca esclarecer o contexto e a finalidade das movimentações.
Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou pelo mercado financeiro e, em 2016, fundou o Grupo Entre. Ele também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investigou o Banco Master.
A equipe de reportagem tenta localizar a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior para que ele se manifeste sobre a operação.
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Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades. — Foto: Montagem/g1


