Bebê nasce morta em hospital do Paranoá, no DF; família acusa negligência médica

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Bebê nasce morta em hospital do Paranoá, no DF; família acusa negligência médica

Bebê nasce morta em hospital do Paranoá, no DF; família acusa negligência médica

 

Mulher procurava atendimento hospitalar desde domingo (26), quando começou a sentir dores. Secretaria de Saúde disse que todas as medidas foram tomadas.

 

Por Neila Almeida e Marcus Barbosa, TV Globo

31/03/2023 10h39  Atualizado há 9 horas

 

Uma bebê nasceu morta, na manhã desta quinta-feira (30), no Hospital Regional do Paranoá, no Distrito Federal. Segundo o pai da menina, a esposa buscava atendimento desde domingo (26), e não teve o parto realizado a tempo. A família acusa o hospital de negligência médica.

Mateus Chiba Barros, esposo da grávida, relata que a cesárea de emergência ocorreu apenas na quinta-feira, apesar da mulher ter começado a sentir as dores quatro dias antes. Caso é investigado pela Polícia Civil.

 

A Secretaria de Saúde afirma que o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço e que aspirou mecônio — primeiro cocô do recém-nascido — para o pulmão, o que seria a provável causa da morte. A pasta diz ainda que todas as medidas foram tomadas (veja íntegra da nota abaixo).

Atendimento

Mateus disse que a esposa já tinha completado 40 semanas de gestação da primeira filha do casal, quando começou a sentir as primeiras dores. Eles se encaminharam à Casa de Parto de São Sebastião, onde moram, mas depois foram ao Hospital do Paranoá, ainda no domingo.

No entanto, o homem afirma que a mulher não tinha dilatação, era medicada e mandada para casa. Esse processo se repetiu por três dias seguidos, até ela ser internada na tarde de quarta-feira (29). A cesárea de emergência foi feita apenas às 10h da manhã de quinta, quando a bebê já estava morta.

“Ela estava para desmaiar. Ela disse que era dor para desmaiar, tanto que ela não aguentava ficar de pé. Eu estava levando ela o tempo todo de cadeira de rodas ao banheiro. Aquela dor forte, dava para ver a barriga se mexendo, a criança já estava retorcendo, estava já sufocada”, relata o pai.

O pai registrou um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia Civil, no Paranoá, por suspeita de negligência médica. O delegado responsável pelo caso solicitou a necropsia do corpo da criança e aguarda o laudo com a causa da morte.

 

“Não tem como explicar, não. Ela estava roxinha. É uma sensação muito estranha, difícil. Até agora a ficha dela [mãe da criança] não caiu. Porque a gente estava comprando as coisinhas dela, a gente não tem muita condição e estava comprando aos poucos, mas já tinha praticamente tudo já”, contou Mateus.

Para ele, o hospital não estava lotado. “Está na cara que foi [negligência médica]. Deixaram a gente lá, em ‘banho maria’, e só estava minha esposa e outra mulher na madrugada”, disse o homem.

 

Fachada do Hospital Regional do Paranoá, no DF — Foto: Reprodução/TV Globo

Fachada do Hospital Regional do Paranoá, no DF — Foto: Reprodução/TV Globo

 

O que diz a Secretaria de Saúde

“A Superintendência de Saúde da região Leste informa que a paciente em questão estava internada na unidade sob os cuidados da equipe médica da unidade desde à noite anterior e o parto cesáreo foi realizado às 6h30. O recém-nascido estava com duas circulares do cordão umbilical e aspirou o mecônio para o pulmão, o que provavelmente foi causa do óbito.

A superintendência destaca que os protocolos de segurança em prol da mãe e do bebê foram seguidos em todas as etapas do atendimento na Casa de Parto e HRL. A vitalidade do bebê foi monitorada e, quando houve alteração, foi indicada cesariana de urgência, como preconizado.

Além disso, foi solicitada necropsia do recém nascido para saber a causa do óbito.”