Câmara gasta R$ 100 milhões em reforma de imóveis para “poupar” R$ 5 milhões por ano

Câmara gasta R$ 100 milhões em reforma de imóveis para “poupar” R$ 5 milhões por ano

 

Apartamentos funcionais devem ser entregues apenas em 2027, e Casa planeja reduzir custos com auxílio-moradia

 

Kevin Lima

27/01/2026 02:00, atualizado 27/01/2026 10:04

 

Câmara dos Deputados espera receber, apenas em maio de 2027, dois prédios residenciais reformados para moradia de parlamentares. Estimado em R$ 100 milhões, o investimento deve entregar 96 unidades habitacionais e, segundo a própria Casa, gerar uma economia anual de cerca de R$ 5 milhões com cortes no auxílio-moradia — um retorno que levaria aproximadamente duas décadas para compensar o valor desembolsado com a reforma.

 

O valor poupado, de acordo com informações da Câmara, no entanto, não seria suficiente para zerar os gastos com o “privilégio” pago aos deputados. No último ano, a Casa gastou mais de R$ 7 milhões em auxílios-moradia.

 

O benefício foi criado na década de 70 como temporário, sob justificativa de falta de imóveis funcionais. As regras da Câmara estabelecem que parlamentares com mandato têm direito a um apartamento em Brasília. Hoje, 399 unidades administradas pela Casa seriam habitáveis. Atualmente, a Casa tem 531 deputados.

 

Reforma em prédios residenciais da Câmara vai disponibilizar 96 apartamentos

 

Por mês, além dos próprios salários, os deputados que não conseguem um imóvel funcional recebem uma “ajuda” de R$ 4,2 mil da Câmara para bancar o próprio aluguel. A quantia ainda pode ser complementada com mais R$ 4 mil da cota parlamentar.

 

Localizados a cerca de 5 quilômetros do Congresso, os dois blocos de apartamentos, na SQN 202, estão em reforma há mais de um ano. A obra faz parte de uma movimentação para tentar reduzir o déficit de moradias para deputados — problema que, mesmo com a entrega das 96 novas unidades, não deve ser totalmente solucionado.

 

O projeto prevê desmembrar imóveis com mais de 230 m² em dois apartamentos de cerca de 100 m² cada. Um dos prédios da Câmara em obras na Asa Norte está desocupado desde 2007; o outro, desde 2017.

 

A Casa pretende que, além da diminuição dos gastos com auxílios, a reforma aumente o valor dos imóveis e leve a uma economia com custos de manutenção. Os prédios enfrentavam danos estruturais e eram alvo de reclamações na vizinhança.

 

Relembre o estado de um dos prédios da Câmara antes do início da reforma:

 

Bloco L da 202 Norte antes do início das reformas

 

Déficit de vagas

 

Os imóveis da Câmara foram construídos nos anos 70, quando a quantidade de parlamentares na Casa passou de 310 para 420. Pouco depois, o número cresceu com a Constituição de 1988, chegou a 513 deputados e gerou um déficit de vagas.

 

Outras situações agravaram a carência ao longo dos anos: deputados que viraram ministros ou senadores se recusaram a deixar os apartamentos e problemas estruturais impediram a ocupação de prédios administrados pela Câmara.

 

Dos 447 apartamentos que são administrados pela Câmara, apenas 399 estão disponíveis para habitação. A Casa afirma que 378 dos 513 deputados ocupam imóveis funcionais e que 14 unidades são ocupadas por ministros e senadores.

 

Placas alertavam para perigos em blocos residenciais da Câmara

 

Imóveis funcionais da Câmara

 

As normas internas da Casa estabelecem que deputados têm direito a um apartamento funcional.

 

Direito é válido enquanto o parlamentar está no exercício do mandato.

 

A Câmara tem, no total, 447 imóveis para moradia de deputados. Nem todos são habitáveis ou estão disponíveis para parlamentares.

 

Quem não consegue uma unidade funcional tem direito a um auxílio-moradia de R$ 4,2 mil. Além desse montante, o deputado também pode usar até R$ 4,1 mil da cota parlamentar mensal para complementação.

 

A Casa afirma que há um déficit de vagas, e os gastos com auxílios alcançaram R$ 7 milhões em 2025.

 

Projeto da direção da Câmara prevê reformar quatro prédios residenciais nos próximos anos. Dois deles já estão em obras.

 

Ao Metrópoles a Casa afirmou que a estimativa é que, após a entrega das unidades, haja uma economia de R$ 5 milhões por ano em gastos com auxílio-moradia.

 

Para a Câmara, a obra foi a “melhor forma encontrada para resolver o problema da insuficiência de apartamentos funcionais”. A Casa também planeja reformar mais dois prédios residenciais.

 

“A reforma permitirá a restauração e a preservação de patrimônio público de responsabilidade da Câmara dos Deputados”, ressaltou a Casa Legislativa.

 

Placas pediam distância de blocos residenciais da Câmara

 

www.metropoles.com

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