“Que se explodam!”. É o recado de Brasília aos brasileiros
Justo Veríssimo era um personagem de Chico Anysio. Um deputado corrupto e sem escrúpulos, que detestava o povo e, mais ainda, os pobres

Brasilia é casa da Esplanada dos Ministérios – Por Josue Marinho / Wikimedia Commons
Quem é da minha geração cresceu se divertindo com filmes, desenhos, seriados e programas audiovisuais de TV. Tudo – ou quase tudo – era pensado, elaborado e produzido, obviamente com as tecnologias disponíveis à época, para entreter, e não apenas reter, a audiência a qualquer custo. Atenção: não desprezem o “quase tudo” acima, pois, claro, havia muita inutilidade e porcaria também.
Com o advento da internet, a onipresença das redes sociais e a velocidade do controle algorítmico, tudo mudou. E aqui é tudo mesmo, e não quase tudo. A TV tradicional respira por aparelhos; jornais e revistas impressos tornaram-se peças de museu; informação e conteúdo de qualidade misturam-se a um mar de desinformação, mentiras e manipulações de toda sorte; e o entretenimento foi reduzido a scroll.
A criatividade era incrível. O humor era inteligente, ácido, escrachado e, sim, mesmo quando apelativo, eficaz. Humoristas como Chico Anysio e Jô Soares, escritores como Luis Fernando Verissimo, cartunistas como Laerte e Jaguar, programas pastelões como Chaves e os de Gugu Liberato, além de ícones como Casseta & Planeta, preenchiam o tempo vago de forma produtiva. Hoje, o TikTok está aí para mostrar o que temos.
A vida imita a arte
Bem, para não variar, me alonguei em demasia na digressão. Mas vocês sabem: sou assim mesmo, e já se acostumaram com isso. Ainda bem! Sou sinceramente grato por tanto carinho e paciência com um tiozão que não sabe escrever sem antes explicar. Afinal, tento ser o oposto de Abelardo Barbosa – o velho e imortal Chacrinha: estou aqui para explicar, e não para confundir. Vamos lá, então.
Justo Veríssimo era um personagem de Chico Anysio. Um deputado corrupto e sem escrúpulos, que detestava o povo e, mais ainda, os pobres. Mas tinha uma qualidade: era sincero. Não só roubava às claras como, também às claras, dizia: “Quero que o pobre se exploda!”. Entenderam agora por que tanto lero-lero e por que o título? Uma grande parte de Brasília, hoje, resume-se a isso.
A teoria do Big Bang, observada ao longo de bilhões de anos de formação do universo, é dificilmente refutável. Se fosse filmada a singularidade que nos originou e reproduzida ao inverso – ou seja, um filme avançando em sentido contrário – conseguiríamos enxergar a explosão primordial. Se voltássemos Justo Veríssimo no tempo, teríamos Brasília como pedra fundamental.
Em meio a contratos de esposas de ministros com banqueiros picaretas, caronas em jatinhos com advogados de investigados, eventos patrocinados por pessoas físicas e jurídicas já condenadas pela Justiça, aumentos salarias e benefícios inimaginaveis à 99.99% da população, corrupção, emendas e tudo mais, essa gente não só mostra que quer como esté conseguindo que a gente se exploda.
Por oantagonista.com.br


