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Pacheco confirma criação da CPI do 8/1 e diz que governo deveria ter apoiado desde o início

Parlamentares da base do governo estavam atuando contra a CPMI, mas mudaram de posição após imagens divulgadas pela CNN revelarem que o ex-ministro-chefe do GSI esteve no Planalto durante a invasão

 

Gabriel Hirabahasida CNN

em Brasília

20/04/2023 às 13:48

 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, nesta quinta-feira (20), que acredita que o governo Lula (PT) deveria ter apoiado a CPMI do 8 de janeiro desde o início, evitando essa mudança de posicionamento após a divulgação de imagens feitas pela CNN que levaram à demissão do general Gonçalves Dias do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Pacheco disse que acredita que “não há mudança alguma” com a iminente instalação da CPMI e que a leitura do requerimento de abertura da comissão (primeiro passo para sua criação) será feito na próxima quarta-feira (26).

“Acho até que o governo devia ter tido essa postura desde o início, que é uma postura que eu tive de afirmar a gravidade do 8 de janeiro, da consequência daqueles atos antidemocráticos, e que era legítimo o Parlamento fazer as investigações próprias relativamente a isso.

O governo se pôs contra em um primeiro momento, entendendo que os órgãos de persecução penal estavam agindo, como estão agindo, mas nada impediria que houvesse também uma CPI para investigação. Isso não altera nada o calendário”, disse Pacheco.

“No dia 26 vai acontecer aquilo que deveria ter acontecido no dia 18, que é a leitura da CPMI. Eu nunca me furtei a isso em qualquer circunstância. Seria esse o encaminhamento mesmo da leitura da CPMI considerando que ela preenche os requisitos”, completou o presidente do Senado.

A declaração foi dada em entrevista coletiva à imprensa após Pacheco participar de um evento empresarial em Londres.

O presidente do Senado disse que a conduta do general Gonçalves Dias, agora ex-ministro do GSI, deve ser apurada pelas autoridades e que todos os responsáveis pelos atos criminosos –sejam autoridades ou cidadãos comuns– devem ser responsabilizados.

“Em relação a esse episódio envolvendo o GSI, o Gonçalves Dias, eu considero que é um fato que precisa ser esclarecido, apurado. Tenho defendido que todo aquele que direta ou indiretamente tenha contribuído para a prática de atos lesivos à democracia devam responder por esses atos. Isso se aplica a um cidadão comum que ousou ter a petulância de invadir prédios públicos e atentar contra a democracia, mas também autoridades públicas que de algum modo tenham sido lenientes ou tolerantes em relação a isso”, defendeu Pacheco.

CNN revelou nesta quarta-feira (19), com exclusividade, imagens do circuito interno do Palácio do Planalto que mostram que Gonçalves Dias esteve no prédio no dia da invasão feita por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em algumas das imagens, é possível ver Dias indicando a saída aos invasores que invadiram o Palácio do Planalto.

O desgaste causado pela divulgação das imagens levou ao pedido de demissão de Dias, apresentado ao presidente Lula nesta quarta-feira (19). O general foi a primeira baixa da equipe ministerial do petista.

 

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal

Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo