Lava Jato ainda assombra Lula e PT
Anulação das condenações não apagou os crimes desvendados pela investigação, e nem o efeito das revelações para a reputação dos envolvidos, como atesta mais uma pesquisa
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Fotos: Carlos Moreira/ PT
A Operação Lava Jato foi desmontada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir da anulação das condenações de Lula. Uma série de políticos, como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, foi reabilitada formalmente e alguns deles vão concorrer nas eleições deste ano.
Mas a anulação formal dos processos não apagou os crimes desvendados pela investigação, e nem o efeito que sua revelação teve para a reputação dos envolvidos no escândalo, como indica a pesquisa AtlasIntel contratada pela Arko Advice, divulgada na quarta-feira, 1º.
Lula foi apontado com o político mais rejeitado, por 50,6% dos 4.224 consultados de 16 a 23 de março — a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O segundo da lista, bem distante, com 24%, é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece à frente do pai, Jair (16,3%), provavelmente por ter alguma perspectiva de poder, como pré-candidato à Presidência da República e desafiante de Lula.
Corrupção
Para 85,9% desses que rejeitam o petista, o maior motivo para a ojeriza é o fato de ele ter se envolvido diretamente ou sido conivente com a corrupção. O segundo fator mais apontado, entre os oferecidos pelo instituto, é Lula “querer a população dependente do Estado” (45,7%).
Também há no histórico político de Lula o esquema do mensalão, pelo qual ele não foi julgado, mas que poderia entrar na percepção de conivência com o crime. Foi na Lava Jato, contudo, que o petista foi condenado e preso, antes de a operação contra a corrupção ser derrubada, como tantas outras.
Diante do histórico e de mais essa pesquisa, está claro que a narrativa de perseguição formulada pelos petistas não colou para pelo menos metade da população brasileira. Pesquisa Quaest divulgada pela ocasião dos 10 anos da Lava Jato, em 2024. já tinha tinha atestado seu legado positivo.
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Consolo
A pesquisa divulgada nesta semana indica ainda que 50% daqueles que já votaram em um petista para presidente e atualmente rejeitam Lula o fazem “pelo envolvimento em corrupção”.
Para quem chegou a acreditar que a Lava Jato poderia corrigir os vícios da classe política brasileira, esses números são um consolo mínimo diante do desmonte da maior operação contra a corrupção do Brasil, que, além de tudo, deu início à crise moral por que passa o STF atualmente.
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