Empresas de parentes de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado ao caso Master

Empresas de parentes de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado ao caso Master

 

Fundo Arleen manteve participação na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro

 

Empresas de parentes de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado ao caso Master

Foto: Gustavo Moreno/STF

 

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à rede de fundos usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades. A informação consta de documentos e bases oficiais analisados pela Folha.

 

De acordo com a reportagem, publicada neste domingo, 11, o Arleen Fundo de Investimentos manteve participações na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que teve integrantes da família de Toffoli como sócios, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade que tinha como sócio um primo do ministro.

 

Como revelou O Antagonista, em setembro de 2021, José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, eram sócios do Tayayá Aqua Resort.

 

A ligação do Arleen Fundo de Investimentos com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é alvo direto da investigação.

 

Rede de fundos e investigação

 

Todos os fundos citados têm como administradora a Reag, que também geria fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.

 

Segundo investigadores, essa estrutura de fundos teria sido usada para desviar recursos emprestados pelo Banco Master e inflar artificialmente ativos.

 

Toffoli

 

Dias Toffoli é o relator do inquérito sobre as fraudes do Master no STF.

 

Ele assumiu o caso no início de dezembro, após recurso da defesa de Vorcaro, e manteve a investigação sob sigilo.

 

Decisões do ministro, como a convocação de uma acareação com um diretor do Banco Central, geraram questionamentos no meio político e financeiro.

 

Resort Tayayá

 

Como mostrou Crusoé em 2019, o complexo turístico em Ribeirão Claro foi lançado em 2008, com investimento inicial de R$ 2,2 milhões.

 

Em 2017, Dias Toffoli recebeu homenagem da Câmara de Vereadores da cidade por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.

 

Os irmãos do ministro do STF ingressaram no negócio por meio de uma holding, alterando a composição societária, que voltou a mudar nos anos seguintes. Segundo registros mais recentes, a família deixou as empresas.

 

O Arleen foi criado em 2021 e tinha apenas um cotista. Em novembro daquele ano, de acordo com reportagem da Folha, uma participação de R$ 20 milhões no Tayayá representava quase toda a carteira do fundo.

 

Em maio de 2025, o valor havia caído para R$ 4,4 milhões. O fundo também manteve participação relevante na DGEP, empresa sediada no mesmo endereço do resort.

 

Treze dias antes da prisão de Daniel Vorcaro, em 18 de novembro, o Arleen decidiu liquidar o fundo.

 

Por O Antagonista

 

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