Empresária suspeita de movimentar R$ 45 milhões em esquema de migração ilegal para os EUA é solta
Segundo decisão, ela deve usar tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias. Em nota, a defesa da empresária afirmou que a revogação da prisão preventiva é o reconhecimento da ‘desnecessidade’ da medida.
Por Honório Jacometto, Tariq Augusto, Ramon Lacerda, TV Anhanguera
08/05/2026 19h34 Atualizado há um dia
A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, que foi presa suspeita de movimentar R$ 45 milhões em um esquema de migração ilegal para os Estados Unidos, foi solta após ficar mais de 24 horas detida em Goiânia. Segundo a decisão da Justiça Federal, ela deverá usar tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias.
Em nota, a defesa de Maria Helena diz que a revogação da prisão preventiva é o reconhecimento da “desnecessidade” da medida extrema. Os advogados pedem respeito à presunção da inocência.
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). De acordo com a Polícia Federal, ele e a esposa dele não são investigados. Em nota, o governador afirmou que os fatos são investigados desde meados dos anos 2000 e não têm relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.
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Maria Helena de Sousa Netto Costa, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram de Fro Petit
Além de Maria Helena, outras três pessoas tinham sido detidas em Goiás, na quinta-feira (7). Entre elas está Juliana Rosa Tomé Froes, suspeita de captar clientes, comprar e gerir passagens, hospedagem e cuidar da logística do esquema. Ela também foi solta nesta sexta-feira, com medida cautelar do uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias.
A defesa de Juliana Rosa Tomé Fróes diz que auxiliar brasileiros a apresentarem-se às autoridades norte-americanas e formalizarem pedido de asilo não configura crime (leia a nota na íntegra ao fim do texto).
Já o marido de Juliana, Fabio Rodrigo Froes, segue detido até a última atualização desta reportagem. A TV Anhanguera não localizou a defesa dele.
Também segue detida Valéria Divina de Macedo. Ela é apontada pelas investigações como responsável pela parte financeira e logística do esquema criminoso. A TV Anhanguera não localizou a defesa dela.
Entenda o caso
Os quatro suspeitos do esquema de Goiânia que foram alvos da Polícia Federal são investigados por promoção de imigração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Até o momento, pelo menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da rede criminosa, que envolvia cinco grupos independentes, mas que compartilhavam fluxos financeiros e logísticos, além de operacionais. Ao todo, os esquemas movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, estimou a polícia.
Maria Helena é suspeita de chefiar um dos grupos envolvidos, mantendo contato com coiotes e comprando passagens para imigrantes entrarem ilegalmente nos Estados Unidos.
🔎 “Coiotes” são os responsáveis por levar imigrantes ilegalmente através da fronteira do México para os Estados Unidos.
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Em um dos áudios enviados à esposa de um homem que contratou os serviços, Maria Helena — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera
A investigação recebeu autorização da Justiça para realizar a quebra de sigilos telefônicos e bancários de Maria Helena. Foi assim que encontraram nas contas dela mais de R$ 45 milhões que seriam fruto do esquema.
Segundo a investigação, Maria Helena chegou a dizer em alguns áudios ter experiência em soltar imigrantes ilegais presos no país.
“Os meninos foram presos. Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro…todos que ficam eu tiro. Eu tiro para depois receber, né? Eu quero saber se você quer que eu tiro…que eu já providencio isso”, disse a suspeita, em um dos áudios aos quais a TV Anhanguera teve acesso com exclusividade.
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Em outro áudio, Maria Helena diz à esposa de um homem que contratou os serviços de migração que o caminho era o mais seguro — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera
O áudio se refere à prisão de um homem de Rondônia que contratou os serviços para migração ilegal, chamado Francisco Firmino de Souza Filho. Durante a travessia do México para os Estados Unidos, a empresária chegou a encaminhar mensagens do próprio coiote para a esposa de Francisco.
No Amapá, outros dois chefes que não foram encontrados foram incluídos na lista da Interpol, relatou a PF.
Organização
As investigações foram realizadas, principalmente, no período de 2018 a 2023. A polícia informou que os grupos atuavam de forma estruturada. Eles são suspeitos de organizar toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a passagem por países como México e Panamá, até a chegada aos Estados Unidos.
Segundo a PF, os grupos tinham integrantes em outros estados e também no exterior, que eram responsáveis por:
suporte logístico
recepção de migrantes
intermediação financeira das operações ilícitas
Além disso, as investigações também apontaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar e disfarçar a origem ilícita do dinheiro movimentado.


