Em áudio, Vorcaro relata pagamentos por filme sobre Lula e negociação com petistas

Em áudio, Vorcaro relata pagamentos por filme sobre Lula e negociação com petistas

 

Por Vinicius Macia

09/10/2026 às 09:35

 

Relato do ex-dono do Banco Master fala sobre repasse de R$ 30 milhões em espécie e “por fora” (Foto: Reprodução/Polícia Federal)

 

Em um áudio revelado pela revista Veja, Daniel Vorcaro fala a um interlocutor não identificado sobre dois repasses relacionados aos atuais postulantes ao Palácio do Planalto. O ex-banqueiro fala do filme Dark Horse, que contou com o auxílio de Flávio Bolsonaro (PL) na produção e do documentário Lula, de 2024. Na conversa, ele compara a legalidade dos dois repasses.

 

“Tem o negócio do filme. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, né? Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”, diz o ex-dono do Banco Master. A Gazeta do Povo comparou a voz do áudio com um depoimento de Vorcaro e identificou compatibilidade.

 

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master

 

Em outro documento obtido pela Veja, Vorcaro descreve um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões “por fora, ou seja, em espécie”, para cobrir as despesas do documentário.

 

O Dark Horse entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) sob a suspeita de que emendas parlamentares seriam utilizadas em sua produção. O relator do caso é o ministro Flávio Dino. Em meio às revelações do caso Master, surgiu um áudio de Flávio Bolsonaro cobrando o patrocínio do ex-banqueiro. Em resposta, o senador afirmou que tratou-se de um “financiamento privado a um filme igualmente privado” e negou qualquer irregularidade.

 

Vorcaro relata pagamentos por filme sobre Lula e esquema com petistas

 

Documento detalha em propina negociada com ex-tesoureiro do PT

 

Antes disso, o Banqueiro menciona três personagens: o Banco do Brasil, o Instituto Lula e um de seus diretores, Paulo Okamotto. Esta seria outra frente, e o banqueiro se comprometeu a apresentar provas.

 

O acordo seria pagar propina de 10% sobre a arrecadação do banco na operação pretendida: o acesso a recursos administrados por entidades ligadas a fundos de previdência.

 

Depois do credenciamento, Vorcaro afirma que a negociação com o grupo político previa o pagamento de 10% do que o banco arrecadasse nas operações. A Veja atribui a Vaccari a cobrança dessa parcela. A Previ, citada nas tratativas, é a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Já a Caixa Asset é a gestora de fundos do conglomerado Caixa.

 

O esquema teria passado pelas mãos do empresário Augusto Lima, sócio de Vorcaro, em uma reunião com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O encontro teria sido costurado por “caciques do PT na Bahia”. O documento, porém, cita que “houve um desarranjo” que frustrou o acordo.

 

O relato foi levado à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão, porém, não seguiu com o caso alegando falta de provas, mesmo com a indicação de Vorcaro de que poderia apresentar mensaegns, registros de acesso, lugares e rotas dos responsáveis pela entrega da propina.

 

A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro, com o Instituto Lula, com o Planalto e com Paulo Okamotto, com a defesa de João Vaccari Neto, com a defesa de Augusto Lima, com o PT na Bahia e com o Banco do Brasil. O espaço segue aberto para manifestação.

 

www.gazetadopovo.com.br

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