Delação premiada de alvos da Operação Carbono Oculto emperra na PGR, e acordo avança no MP de SP
Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades.
Por Patrícia Marques, Bruno Tavares, Andréia Sadi
29/01/2026 00h00 Atualizado há 4 dias

Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades. — Foto: Montagem/g1
Um pedido de delação premiada no âmbito da investigação que apura um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis no país feito pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, principais alvos da Operação Carbono Oculto, está parado na Procuradoria-Geral da República (PGR). Os dois estão foragidos.
Ainda de acordo com a apuração, o material apresentado às autoridades inclui documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que confirmariam uma propina de mais de R$ 400 milhões a autoridades e políticos entre 2022 e 2024.
Os pagamentos seriam para evitar a cassação de licenças do grupo empresarial, obter vantagens tributárias e ter acesso privilegiado à Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Ainda de acordo com as fontes, o material apresentado à PGR também traz informações sobre o vazamento da operação.
No dia da operação, a Polícia Federal só conseguiu prender 6 das 14 pessoas que tiveram a prisão decretada pela Justiça.
Por outro lado, no Ministério Público de São Paulo, as negociações para uma delação premiada estão em estágio avançado, com previsão de homologação pela Justiça paulista em até 60 dias.
O blog apurou com fontes da PGR que a instituição considerara os indícios apresentados por Beto Louco e Mahamad frágeis para sustentar uma colaboração premiada.
PGR não quis comentar sobre delação
A Procuradoria-Geral da República disse que não comenta supostos acordos de colaboração. E que esses procedimentos são, por natureza, sigilosos (Lei 12850/2013).
O blog entrou em contato com a defesa dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, mas não obteve resposta.



