De lanchas a carros de luxo: veja bens bloqueados em operação contra grupo suspeito de movimentar R$ 250 milhões com empresas de construção de fachada

De lanchas a carros de luxo: veja bens bloqueados em operação contra grupo suspeito de movimentar R$ 250 milhões com empresas de construção de fachada

 

Polícia Civil bloqueou bens no valor de R$ 17 milhões. Segundo o delegado do caso, Bruno Costa, os imóveis e veículos permanecem com investigados, mas foram bloqueados judicialmente.

 

Por Aline Goulart, g1 Goiás

27/08/2025 17h56  Atualizado há um dia

 

A operação da Polícia Civil “Straw Man” bloqueou lanchas, imóveis e carros de luxo contra grupo suspeito de movimentar R$ 250 milhões com empresas de construção de fachada. Ao g1, o delegado do caso, Bruno Costa, informou que os imóveis e veículos permanecem com os investigados, mas foram bloqueados judicialmente, o que impossibilita a transferência.

 

Como o nome dos suspeitos não foram divulgados, o g1 não conseguiu localizar a defesa deles até a última atualização desta reportagem.

 

Segundo a polícia, a operação bloqueou bens no valor de R$ 17 milhões. Os mandados foram cumpridos em um atacadista de materiais de construção, residências e escritório de contabilidade em Goiânia e Uruana, informou a polícia.

 

Segundo o delegado, a investigação iniciou em novembro de 2024. Nessa fase da operação, foram presos um empresário, dono de uma empresa real, um técnico de contabilidade e um laranja.

 

Polícia bloqueou bens no valor de R$ 17 milhões, como veículos de luxo e imóveis, Goiás — Foto: Divulgação/Polícia Civil

 

Sonegação fiscal

 

Segunda a polícia, os suspeitos podem responder por crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

 

De acordo com a investigação, o objetivo do esquema era se apropriar indevidamente de recursos e deixar de recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

O empresário é o dono de um atacadista de materiais de construção, o técnico de contabilidade era quem prestava auxílio ao dono e o vaqueiro era o laranja que tinha oito empresas no nome, mas não tinha capacidade econômica para pagar imposto, informou o delegado.

 

“O técnico de contabilidade que prestava auxílio ao dono, criando as ferramentas necessárias para falsificar os documentos públicos e particulares e o registro dessas empresas em nome de laranjas,” informou Bruno.

 

Como funcionava o esquema

 

Segundo o auditor da Receita Estadual, Wagner Machado, o esquema das empresas “noteiras” funcionava quando a empresa original não lançava as notas para que ela não sofresse o ônus do crédito tributário, ou seja, não pagasse imposto. “Porque toda nota fica registrada no sistema e ela é suscetível a autuação,” informou Wagner.

 

Por outro lado, segundo o auditor, quando o registro é feito em uma empresa paralela que não tem capacidade de pagamento, o estado não pode cobrar o que não existe, esse crédito é chamado de crédito podre.

 

“Então, nesse esquema, a empresa original reduzia suas atividades de emissão para que ela não pudesse receber esse ônus, enquanto as empresas paralelas emitiam as notas para que houvesse o ônus em cima de quem não pode pagar,” contou Wagner.

 

Fases da investigação

 

De acordo com o delegado, a polícia investigou dois períodos. De 2018 a 2023, foi o período do lançamento do crédito tributário que consta na dívida ativa de Goiás, o valor de R$ 17 milhões. Segundo Bruno, essa descoberta deu início à investigação.

 

Durante a operação, a polícia obteve o valor de movimentação de R$ 250 milhões, esse faturamento corresponde ao período de 2021 a 2025.

 

Próximos passos

 

Segundo o delegado, a operação continua investigando outras empresas “noteiras”, como restaurantes e empresas de tecidos. Segundo o delegado, essas empresas são clientes do contador e em vez estarem registradas no nome dos empresários estão em nome de laranjas.

Ao g1, o delegado informou que outras ações estão sendo tomadas pela Polícia Civil no combate ao esquema das empresas “noteiras”.

 

A investigação contou com o trabalho integrado da Polícia Civil de Goiás, da Receita Estadual, da Delegacia Regional de Fiscalização de Goiânia e da Polícia Rodoviária Federal para a prisão de um dos investigados.

 

Polícia bloqueou bens no valor de R$ 17 milhões, como veículos de luxo e imóveis, Goiás — Foto: Divulgação/Polícia Civil

 

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