Banco Master declarou pagamentos milionários a escritórios de políticos e ex-ministros, diz jornal
Por Hermano Freitas
Por Camila Abrão
e Barbara Schiontek, da Tribuna do Paraná
08/04/2026 às 20:01
Daniel Vorcaro, banqueiro do liquidado Banco Master (Foto: Reprodução/Youtube/Esfera Brasil)
Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou pagamentos milionários a escritórios de advocacia e empresas ligadas a figuras políticas. A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em documentos enviados pelo Fisco à CPI do Crime Organizado.
A lista abrange diversos espectros políticos, incluindo nomes como Michel Temer (MDB), Antonio Rueda (União), ACM Neto (União) e os ex-ministros Guido Mantega (PT), Fabio Wajngarten (sem partido), Henrique Meirelles e o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Segundo o jornal, o banco controlado por Daniel Vorcaro declarou o pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Michel Temer em 2025. O ex-presidente, contudo, afirmou à Folha ter recebido R$ 7,5 milhões (em duas parcelas de R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões) por serviços de mediação.
Já Henrique Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões entre 2024 e 2025. O ex-ministro confirmou a prestação de consultoria macroeconômica, mas ressaltou que rescindiu o contrato em julho de 2025 por baixa demanda. Outros repasses citados incluíram ainda:

Guido Mantega (Pollaris Consultoria): R$ 14 milhões. Ele não foi encontrado para comentar.
Antonio Rueda (União Brasil): R$ 6,4 milhões via dois escritórios. Rueda questionou a legalidade do vazamento dos dados e defendeu o caráter técnico dos serviços.
ACM Neto (A&M Consultoria): R$ 5,45 milhões entre 2023 e 2025. A empresa confirmou o serviço, mas não validou os valores.
Jaques Wagner
Documentos indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido R$ 289 mil como pessoa física. À Folha de S. Paulo o parlamentar negou pagamentos diretos do banco, sustentando que o valor refere-se a rendimentos de aplicações financeiras. Adicionalmente, o Master teria pago R$ 12 milhões à BN Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do senador. A empresa afirmou que os serviços — que incluem prospecção e convênios de crédito — foram “regulares, contabilizados e declarados”.
Núcleo do governo anterior
O ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro Fabio Wajngarten teria recebido R$ 3,8 milhões, segundo documentos. Ele afirmou ter sido contratado para a equipe de defesa de Vorcaro em 2025 e destacou que o contrato possui cláusulas de confidencialidade.
Repasses a empresas de Ratinho no Paraná
Duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Junior, também teriam recebido repasses. Ao todo, as empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e Participações somariam pelo menos R$ 24 milhões em transações entre 2022 e 2025.
De acordo com nota enviada pelo Grupo Massa à Tribuna do Paraná, “o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul.” A Massa Intermediação e Assessoria Empresarial presta consultoria em gestão empresarial. A Gralha Azul é de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral.
Também procurada pela Tribuna do Paraná, a defesa de Daniel Vorcaro disse que não vai se manifestar sobre o tema. Ele foi preso pela segunda vez na Compliance Zero, e foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília, onde tem recebido, com frequência quase diária, a visita de advogados para desenhar as linhas da delação premiada que deve fazer.

Saiba quem recebeu recursos ligados a Daniel Vorcaro
Michel Temer — ex-presidente da República; declarou contrato de prestação de serviços jurídicos
Fábio Wajngarten — advogado e ex-Secom; atuou na defesa do banqueiro
Ronaldo Bento — ex-ministro da Cidadania; posteriormente assumiu funções em empresas do grupo
Metrópoles / Luiz Estevão — portal de notícias e empresário; valores vinculados a contratos de patrocínio
Ratinho — apresentador e empresário; participação em campanhas publicitárias do grupo
Globo / Luciano Huck — grupo de mídia e apresentador; ações de patrocínio e publicidade
Léo Dias — jornalista; contrato publicitário com o grupo
ACM Neto — ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil; consultoria
Antônio Rueda — dirigente partidário; atuação via escritório de advocacia
Guido Mantega — ex-ministro; consultoria econômico-financeira
Henrique Meirelles — ex-ministro; consultoria em macroeconomia
Viviane Barci de Moraes — advogada; escritório citado em contratos com o banco
Dias Toffoli — ministro do STF; citado em transações envolvendo empresa familiar
Kássio Nunes Marques — ministro do STF; escritório do filho recebeu valores
Ricardo Lewandowski — ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça; atuação como consultor jurídico
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