Protestos na França terminam com mais de 1 mil presos; atos contra o custo de vida se espalham pela Europa

Protestos na França terminam com mais de 1 mil presos; atos contra o custo de vida se espalham pela Europa

 

Estudantes que protestam há semanas se uniram a sindicatos e ao movimento dos “coletes amarelos”. Governo francês estima 550 mil manifestantes; organizadores falam em 800 mil.

 

Por Redação g1 — São Paulo

17/10/2026 20h48 Atualizado há uma hora

 

Torre da sede da prefeitura de Limoges, na França, desaba durante incêndio — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

Torre da sede da prefeitura de Limoges, na França, desaba durante incêndio — Foto: PASCAL LACHENAUD/AFP

 

Os protestos contra o alto custo de vida e por melhores condições de ensino na França terminaram com cerca de 1.200 pessoas detidas e 150 policiais e gendarmes feridos neste sábado (17).

 

O balanço foi divulgado pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, na noite deste sábado. Segundo ele, é um milagre que o saldo não tenha sido mais grave.

 

O governo francês estima que 550 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país. Os organizadores falam em 800 mil. Os atos reuniram estudantes, que organizam protestos há semanas, trabalhadores e integrantes do movimento dos “coletes amarelos”.

 

Em Limoges, no centro da França, um incêndio atingiu a sede da prefeitura e derrubou parte do prédio, inaugurado em 1883. Segundo a imprensa francesa, um grupo de pessoas encapuzadas quebrou vidraças para entrar no edifício e colocou fogo no local, depois do fim da manifestação na cidade.

 

No mesmo dia, manifestações contra o custo de vida e os preços da moradia ocorreram em outros países europeus, entre eles Portugal, Itália, Bélgica e Espanha.

 

Mais cedo, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia informado 400 detidos e 60 policiais feridos, dois deles levados ao hospital inconscientes. Ele também relatou saques ou tentativas de saque em Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha.

 

Prédios públicos incendiados

 

O incêndio em Limoges começou depois que um carro da polícia municipal foi incendiado em frente à prefeitura. O telhado desabou sobre os andares inferiores, com exceção da ala oeste, e cerca de dois terços das fachadas desapareceram, segundo o prefeito regional Maurice Barate.

 

Em Lyon, o escritório de turismo foi incendiado. O prefeito Grégory Doucet classificou o episódio como uma tragédia para a cidade e disse à “BFMTV” que o prédio é histórico e emblemático. A polícia local informou que pessoas hostis impediram que os bombeiros combatessem o fogo em segurança.

 

Em Angers, no oeste do país, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire, segundo informações repassadas à agência AFP pela própria administração regional. Um princípio de incêndio começou na sala de correspondência e foi apagado por um funcionário com um extintor.

 

Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP

Sede da prefeitura de Limoges, na França, é destruída em incêndio — Foto: MELAINE PAYZAL/AP

 

Confrontos em Paris até a noite

 

Em Paris, a passeata principal transcorreu de forma majoritariamente pacífica durante a tarde, segundo a BBC. Ao longo do dia, no entanto, grupos atearam fogo em ruas e veículos, inclusive na praça da República.a usou gás lacrimogêneo e jato d’água. Segundo a BBC, lojas foram saqueadas, ao menos um restaurante foi destruído pelo fogo, e policiais avançaram contra um grupo no centro da cidade, atingindo várias pessoas com cassetetes.

 

Manifestantes entram em confronto com a polícia durante protesto contra o alto custo de vida e em apoio às reivindicações estudantis em Paris, neste sábado (17). — Foto: AP Photo/Emma Da Silva

Manifestantes entram em confronto com a polícia durante protesto contra o alto custo de vida e em apoio às reivindicações estudantis em Paris, neste sábado (17). — Foto: AP Photo/Emma Da Silva

 

Saques e confrontos em Toulouse

 

Em Toulouse, o ato terminou com saques a lojas, lixeiras incendiadas e barricadas, segundo o jornal “Le Monde”. A praça do Capitólio foi isolada após um princípio de incêndio.

 

O protesto reuniu 32 mil pessoas segundo o governo regional e cerca de 80 mil segundo os sindicatos. A situação mudou por volta das 16h30 no horário local, quando as forças de segurança tentaram interromper a passeata.

 

Quatro dirigentes sindicais ficaram feridas e precisaram ser retiradas do local.

 

“Responsabilizamos diretamente o prefeito regional e seu chefe de gabinete, assim como o primeiro-ministro, pelas ordens dadas à polícia”, afirmou Cédric Caubère, secretário-geral da união departamental da CGT no Alto Garona, ao “Le Monde”.

 

Protesto em Bolonha, na Itália, contra o alto custo de vida — Foto: MICHELE LAPINI/Reuters

 

 

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