OPINIÃO | Janja beija o escudo, mas a camisa do Flamengo não apaga o discurso de Lula
Entre críticas aos clubes e gestos de carinho ao rubro-negro, o casal presidencial oferece uma cena que merece cobrança: simpatia diante das câmeras não substitui responsabilidade ao microfone.
Por Cláudio Ulhoa
29/09/2026 – 10h31
Lula mirou na maior torcida do país e Janja foi pro desespero: fantasia de campanha não cola.
Por Cláudio Ulhoa
Não adianta. Pode vestir a camisa rubro-negra, beijar o escudo na frente da câmera e pendurar uma correntinha de Nossa Senhora no pescoço com cara de quem acabou de sair da missa das sete. Ninguém aqui nasceu ontem.
Dias atrás, Lula resolveu explicar ao Brasil que, se o governo acabar com as bets, acaba o futebol, e escolheu justamente o Flamengo como alvo. Isso mesmo: mirou na maior torcida do país, cerca de 46 milhões de pessoas, líder de todas as pesquisas desde 1993. A menos de uma semana da eleição, o presidente da República resolveu dar uma aula prática de como perder voto. Nem o adversário precisou entrar em campo, ele fez gol contra sozinho e ainda comemorou.

E a Janja? Flamenguista de carteirinha, dizem. Apoiou o discurso e, no meio da fala, fez aquele sinalzinho vergonhoso para o marido lembrar de incluir outros times. Sim, a primeira-dama tentando corrigir o presidente ao vivo, sem disfarçar, feito mãe que cutuca o filho na festa da família. Constrangedor.
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Aí vem o segundo ato, que é de doer de tanto rir. Dias depois, lá está ela ao lado de Lula em outro compromisso, beijando a camisa do Flamengo, com a correntinha de Nossa Senhora bem à mostra. Se aquilo não é figurino de campanha, eu sou o Papa. A camisa virou fantasia, a santa virou acessório, e a fé, pelo jeito, só aparece quando a pesquisa aperta. Devoção de última hora, tipo torcedor que só descobre o time na final.
Mas convenhamos: vindo de quem vem, nem surpreende. Estamos falando de um presidente a quem se atribui uma antologia de pérolas: o traficante como vítima do usuário, o ladrão de celular que, coitadinho, só rouba para tomar uma cervejinha, piada de mau gosto com violência doméstica, o Brasil precisando ser “respeitado” pelo crime organizado. Cada frase dessas é um tiro no pé, e o homem ainda pede bis.
Lula fala, Janja remenda, e o país assiste sentado, sem saber se ri ou se chora. É uma dupla e tanto, mas de humor involuntário. E olha que palhaço o Brasil já tem de sobra: para isso, basta o Tiririca na política, que pelo menos nunca escondeu que era piada.


