Muito antes da política: a família que está no centro da história de Pepa
Quando se fala em uma pessoa que ocupa um cargo público, é comum que a história seja contada a partir da política. Projetos, eleições, discursos, votações e decisões passam a ocupar o centro da narrativa.
Redação: Especial para o jornal O Diario do Planalto
Por: Railde Nascimento, O Diário do Planalto — Brasília-DF
24/09/2026 12h37 Atualizado há 25 minutos
Mas, antes do mandato, existe uma vida inteira.
No caso de Pepa, essa história começa bem longe de Brasília, em Várzea do Poço, no interior da Bahia. É lá que nasceu Pedro Paulo de Oliveira, o décimo segundo filho de uma família de 14 irmãos. Foi também de lá que saiu, aos 18 anos, para tentar construir a própria vida no Distrito Federal.
E, embora tenha seguido seu caminho em Brasília, os vínculos com a família de origem nunca desapareceram.
Uma família grande, com raízes na Bahia
Pepa cresceu em uma casa com 14 filhos. Seu pai, Plácido, era pedreiro, e sua mãe, Maria Rosalina, foi responsável pela criação de uma família numerosa.
Anos depois, já vivendo em Brasília, a ligação com os irmãos continuou presente. Em um pronunciamento na Câmara Legislativa, Pepa contou que todos os seus 13 irmãos permanecem em Várzea do Poço.
A distância, no entanto, não tornou esses encontros menos importantes.
Em agosto de 2025, alguns dos irmãos e uma sobrinha estiveram na Câmara Legislativa para visitá-lo. Na ocasião, Pepa fez questão de registrar a presença da família e comentou sobre a dificuldade que eles enfrentam para sair do interior da Bahia e viajar até Brasília.
É uma parte da história que ajuda a entender de onde ele veio e os vínculos que permanecem mesmo depois de tantos anos longe de casa.
A chegada a Brasília aconteceu antes da política
A mudança para Brasília aconteceu em janeiro de 1987.
Aos 18 anos, Pepa deixou Várzea do Poço e veio para o Distrito Federal. Segundo o relato publicado em sua biografia, a viagem foi feita no porta-malas de uma Caravan. Na bagagem, um travesseiro dado pela mãe na despedida.
Brasília não ofereceu um caminho pronto.
O primeiro emprego foi como copeiro no Hotel Nacional. Ele acordava de madrugada, pegava ônibus e começava o trabalho às 6h. Para complementar a renda, também fazia bicos em uma estofaria.
Enquanto trabalhava, estudava para concurso público.
Em 1994, foi aprovado e tornou-se servidor da Administração Regional de Planaltina, cidade onde decidiu construir sua vida.
Foi também em Planaltina que surgiram outras partes importantes de sua trajetória. A cultura entrou em sua vida, com participação em teatro, quadrilha junina e na Via Sacra do Morro da Capelinha.
A política, naquele momento, ainda estava distante.
O encontro com Cida e o início da família
Foi também em Brasília que Pepa conheceu Cida.
Segundo o relato publicado em sua biografia, os dois se conheceram durante a Via Sacra. Entre ensaios e atividades culturais, começaram a namorar.
O casamento aconteceu em 1990.
A partir dali, começou outra etapa da história. Vieram os filhos, depois a neta e uma família que, segundo o próprio Pepa, foi construída também a partir da participação no Encontro de Casais com Cristo.
Em 2026, são 36 anos de casamento.
Mais do que uma data, são décadas de uma vida construída em conjunto, enquanto Brasília também se transformava e a trajetória profissional de Pepa avançava.
Marido, pai, avô e irmão
Quando fala sobre sua vida pessoal, Pepa costuma colocar a família no centro da narrativa.
Não apenas a esposa e os filhos, mas também a neta, a nora e os irmãos que continuam vivendo na Bahia.
Em um relato sobre sua história familiar, ele resumiu esse sentimento em uma frase:
“Sem a minha família, eu não sou nada.”
A frase ajuda a explicar por que a família aparece tantas vezes quando Pepa conta a própria trajetória.
Ela está presente desde a infância no interior da Bahia, passa pela decisão de deixar a cidade natal aos 18 anos e chega à vida construída em Brasília.
E existe também uma distância física que permanece. Enquanto Pepa construiu sua vida no Distrito Federal, seus irmãos continuaram em Várzea do Poço. Os encontros, por isso, acabam ganhando um significado especial.
Quando alguns deles estiveram na Câmara Legislativa, em 2025, Pepa destacou justamente isso: não era comum que conseguissem viajar até Brasília e fazia tempo que alguns não o visitavam.
Família e fé também fazem parte dessa história
A fé aparece em diferentes momentos da trajetória pessoal de Pepa.
Sua biografia conta que, depois de chegar a Brasília, ele passou a participar do grupo de jovens da Paróquia São Vicente de Paulo, em Planaltina. Também relaciona a formação de sua família ao Encontro de Casais com Cristo.
Nesse sentido, família e fé aparecem como elementos que acompanham diferentes fases de sua vida, desde os primeiros anos em Planaltina até a formação da família.
É uma dimensão pessoal que, independentemente da avaliação sobre sua atuação política, ajuda a compreender a maneira como ele próprio conta sua trajetória.
Muito antes do mandato
Conhecer a história pessoal de uma pessoa pública não significa ignorar sua atuação política. Significa apenas olhar para uma trajetória que começou muito antes das urnas.
Antes de ser deputado, Pepa foi filho, irmão, trabalhador, marido e pai.
Foi um jovem que saiu da Bahia aos 18 anos, chegou a Brasília com poucos recursos, trabalhou como copeiro, estudou para concurso, tornou-se servidor público e construiu sua vida em Planaltina.
Foi também na cidade que conheceu Cida, formou sua família e encontrou na cultura uma das primeiras formas de participação na comunidade.
Hoje, a história inclui filhos, neta, nora e irmãos que continuam do outro lado do país.
A política entrou depois.
A família veio primeiro.



