Imagens mostra Moraes e esposa saindo de jatinho de empresa de Vorcaro em 2025; escritório Barci de Moraes nega irregularidade

Imagens mostra Moraes e esposa saindo de jatinho de empresa de Vorcaro em 2025; escritório Barci de Moraes nega irregularidade

 

Imagens reveladas pelo jornal O Globo mostram ministro do STF e esposa desembarcando no Rio. PF apontou avião como pagamento por um suposto segundo contrato entre escritório e firma de Vorcaro

 

Por Redação, g1 — Brasília

20/09/2026 14h05 Atualizado há 2 horas

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci, voaram em um avião de uma empresa que tinha Daniel Vorcaro, do Banco Master, como um dos sócios. O voo para o Rio de Janeiro aconteceu em 22 de agosto de 2025.

 

Um vídeo publicado pela coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, mostra Moraes e Viviane desembarcando de um avião Embraer Legacy 650 no Aeroporto Santos Dumont. Segundo o jornal, trata-se da aeronave de matrícula PP-NLR, que pertencia a uma empresa de Vorcaro.

 

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas, a Prime Aviation, de Vorcaro. No entanto, nega que tenham viajado com Vorcaro ou qualquer outra pessoa ligada ao banqueiro.

 

“A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”, disse o escritório. (Leia a íntegra)

 

Este avião, segundo relatório da Polícia Federal (PF) que teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, também do STF, é citado como forma de pagamento de um segundo contrato de R$ 50 milhões entre o escritório de advocacia de Viviane Barci e uma empresa de Vorcaro, a Viking Participações – além do contrato já conhecido de aproximadamente R$ 131 milhões com o Banco Master.

 

 

O arquivo com o contrato foi localizado em trocas de mensagens entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares, que trabalhava para o então banqueiro.

 

O documento, segundo o arquivo localizado pela PF, formalizava uma “prestação de serviços e de honorários advocatícios”, incluindo consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhistã, atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público e “consultoria estratégica e atuação jurídica em processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário”.

 

O pagamento deveria ser realizado em 36 meses por meio de transferência bancária da Viking para o escritório de advocacia ou “mediante dação em pagamento – de bens imóveis, móveis ou serviços”. Ou seja, era possível que o escritório de Viviane recebesse bens como pagamento.

 

No dia do voo, Moraes participou de um evento no Rio de Janeiro. O encontro também contou com a presença de integrantes do poder público e políticos. Entre eles, o ministro do STF André Mendonça, o então governador do Rio, Cláudio Castro (PL) e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

 

Avião de Vorcaro com Moraes e Viviane Barci partiu de São Roque-SP e voou até o Rio de Janeiro-RJ — Foto: Reprodução/adsbexchange.com

Avião de Vorcaro com Moraes e Viviane Barci partiu de São Roque-SP e voou até o Rio de Janeiro-RJ — Foto: Reprodução/adsbexchange.com

 

Aeronaves como pagamento

 

Em um dos diálogos com Vorcaro, de 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares envia duas propostas para quitação do contrato. Pela minuta apresentada, R$ 40 milhões seriam pagos mediante dação (entrega) de cotas de duas aeronaves pertencentes a duas outras empresas, um jatinho e um helicóptero, e os R$ 10 milhões restantes por meio de reembolso das despesas causadas pelo uso das aeronaves.

 

“Os ativos mencionados seriam dois bens vinculados às empresas F24 (FRACTION 024 ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO S.A.) e F53 (PT-PCT ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO). A F24 é possuidora da aeronave modelo Legacy 650, prefixo PP-NLR, enquanto a F53 estava em fase de aquisição do Helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters”, escreveu a PF.

 

As duas empresas estavam no guarda-chuva de outra empresa, a Prime Aviation. Um dos sócios de Vorcaro na empresa, identificado como Marcos, inclusive informou ao banqueiro que as aeronaves já eram utilizadas pelo ministro e pela esposa.

 

Uma das possibilidades dadas pelo advogado — de transferir os bens com possibilidade de recompra futura — foi descartada por Vorcaro na troca de mensagem.

 

“‘Opção 1 não é o negócio’, diz ele, que depois acrescenta: ‘Os ativos são deles… já'”.

 

Os documentos, tornados públicos, não deixam claro se a entrega das aeronaves se concretizou. Na Junta Comercial de São Paulo, onde estão registradas as empresas, não existem documentos que demonstrem que houve transferência de cotas.

 

Viviane e Alexandre de Moraes — Foto: Divulgação

Viviane e Alexandre de Moraes — Foto: Divulgação

 

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