ANTT marca leilão da BR-060, e tarifa para motoristas goianos deve subir

ANTT marca leilão da BR-060, e tarifa para motoristas goianos deve subir

 

Certame ocorrerá no dia 17 de dezembro e pode pesar no bolso do motorista. Edital prevê mais de R$ 4 bilhões em investimento

 

por Rafael Tomazeti

 

Pedágio na BR-060 pode ficar mais caro com novo leilão. (Foto: Triunfo)

 

O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcaram para 17 de dezembro o leilão do trecho de 211,6 quilômetros das BRs-060 e 153, que interligam o eixo Goiânia, Anápolis e Brasília, conhecido como Rota do Pequi. Da concessão original, de 2013, este é o último trecho desmembrado que vai para leilão.

 

A má notícia é que a melhoria será mais salgada para o bolso do motorista anapolino que se desloca para as cidades vizinhas. Hoje, por exemplo, a praça de pedágio de Goianápolis cobra R$ 5,40 de veículos automotores leves. Ela poderá chegar a R$ 20, conforme o edital lançado pelo governo federal, valor quase quatro vezes maior que o praticado atualmente.

 

A justificativa é de que o modelo anterior estrangulou a capacidade de investimento da Triunfo Concebra, que há anos abandonou a concessão e tem feito apenas pequenos serviços de manutenção. Há uma clara percepção de que a gestão da empresa entregará a rodovia em estado pior do que quando a administração foi privatizada.

 

Apesar do contrato de 30 anos terminar somente em 2043, a empresa pediu rescisão amigável. Há mais de três anos o governo federal prepara novo leilão, enquanto a malha rodoviária sofre com a precarização pelo abandono da companhia que conta os dias para o fim do contrato.

 

O novo edital exige investimentos de R$ 4,14 bilhões em obras obrigatórias. Entre as principais intervenções estruturais estão a implementação de mais de 50 quilômetros de terceiras faixas na BR-060 e a construção do aguardado Contorno de Goiânia, que será feito para tirar das partes adensadas da capital o intenso fluxo de veículos pesados e aqueles que só estão de passagem.

 

Para cumprir com todo este investimento, analistas mais pessimistas apontam uma alta expressiva das tarifas para os motoristas. A justificativa é de que há uma necessidade de fluxo de caixa imediato para atender o que é exigido no edital.

 

Segundo o Ministério dos Transportes, diferente do leilão de 2013, o modelo de concessão de 2026 prioriza a sustentabilidade financeira do caixa da nova operadora, evitando deságios agressivos na bolsa que possam comprometer as obras futuras.

 

Para mitigar os impactos do reajuste e evitar congestionamentos, o contrato prevê mecanismos de desconto e modernização. Haverá a implementação do Desconto de Usuário Frequente (DUF), concedendo abatimentos progressivos automáticos para motoristas que realizam viagens diárias entre Goiânia, Goianápolis e Anápolis através de tags eletrônicas. O trecho também poderá adotar o sistema de pedágio eletrônico Free Flow (sem cancelas), idêntico ao inaugurado recentemente na BR-060 pela concessionária Rota Verde, agilizando o tráfego rodoviário.

 

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