Governo Trump alega que Brasil interfere na economia dos EUA e prorroga sanções por 1 ano

Governo Trump alega que Brasil interfere na economia dos EUA e prorroga sanções por 1 ano

 

O anúncio desta terça-feira (28) não tem efeito prático com relação ao tarifaço. Isso porque a medida acabou derrubada pela Suprema Corte e foi substituída por outro mecanismo.

 

Por Redação g1

28/07/2026 16h08  Atualizado há uma hora

 

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (28) a prorrogação por mais um ano da ordem executiva assinada contra o Brasil no dia 30 de julho de 2025, com base na chamada Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.

 

O anúncio desta terça, porém, não tem efeito prático com relação ao tarifaço. Isso porque a medida de 2025, que impunha uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, acabou derrubada pela Suprema Corte.

 

Em entrevista ao Jornal Nacional, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo explica que o efeito é político.

 

“A Suprema Corte reverteu a autoridade do presidente de atuar na área tarifária, mas continuam, por exemplo, as sanções financeiras que foram aplicadas contra autoridades brasileiras.”

 

👉 As tarifas atuais em vigor contra o Brasil são resultado de outro mecanismo: uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

 

Roberto Azevêdo explica, no entanto, que “tudo que não é tarifário continua valendo” – por exemplo, sanções financeiras contra autoridades brasileiras, embargo ou congelamento de bens.

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta enquanto discursa sobre a economia no Campo de Provas da General Motors em Milford, Michigan, EUA — Foto: REUTERS/Carlos Osorio

 

Acusações contra o governo brasileiro

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta enquanto discursa sobre a economia no Campo de Provas da General Motors em Milford, Michigan, EUA — Foto: REUTERS/Carlos Osorio

 

No comunicado desta terça, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro.

 

A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas que “interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas”;

 

acusa membros do governo brasileiro de “perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores”, em uma referência a Jair Bolsonaro;

 

e cita o STF como “promotor de censura”, menciona “prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão” e “censura de conteúdos na internet”.

 

O Itamaraty ainda não se manifestou sobre o comunicado.

 

O que é uma ordem executiva?

 

Essa medida funciona como um instrumento do governo federal que não requer aprovação do Congresso.

 

Segundo a BBC, uma ordem executiva precisa funcionar nos limites da lei, sendo, em teoria, cada uma delas revisada pelo Gabinete de Assessoria Jurídica quanto à forma e legalidade – porém, isso nem sempre acontece.

 

Se uma ordem for considerada fora dos limites do que é aceitável, ela poderá estar sujeita a uma revisão legal. O Congresso também pode aprovar uma lei para anular a ordem executiva, mas o presidente ainda tem poder de veto sobre essa lei.

 

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