Liderança de Daniel Vilela nas pesquisas diz mais do que parece

Liderança de Daniel Vilela nas pesquisas diz mais do que parece

 

Ton Paulo

19 julho 2026 às 15h07

 

Pesquisas da Real Time Big Data indicam que Daniel não apenas lidera a disputa pelo governo de Goiás, mas enfraquece a principal crítica de seus adversários: a de seria apenas um herdeiro político de Caiado

 

É de praxe, na política, o nascimento de “herdeiros” consanguíneos ou não que se sustentam na vida pública muito mais pela força do apadrinhamento do que pelos próprios feitos. Em Goiás, por óbvio, a coisa não é lá tão diferente.

 

Sobrenomes e grupos políticos não raramente impulsionam novos quadros, mas, ao longo do tempo, parecem ter a necessidade de sempre vir à tona para “revigorar” a imagem do apadrinhado. Contudo, a cada nova pesquisa de intenção de voto divulgada, e contrariando o principal argumento de seus adversários, esse não parece ser o caso de Daniel Vilela.

 

O emedebista filho de Maguito Vilela parecia fadado a enfrentar essa pecha quando assumiu o governo após a renúncia de Ronaldo Caiado para disputar a presidência da República. Claro que a pergunta era inevitável: Vilela conseguiria andar sozinho ou seria apenas o “governador tampão” do caiadismo?

 

Os levantamentos esporadicamente divulgados retratando a preferência do eleitorado em Goiás, aparentemente, respondem isso de forma. As pesquisas Real Time Big Data divulgadas em maio e julho são um exemplo.

 

Em maio,Daniel Vilela figurava com 38% das intenções de voto no principal cenário estimulado para o governo de Goiás, contra 22% de Marconi Perillo, do PSDB. Já no 2º turno, Daniel batia o tucano por 52% a 28%. Em tempo: a margem de erro da pesquisa era de 2 pontos para mais ou para menos.

 

E cerca de 2 meses depois, o levantamento do mesmo Big Data mostrou que o governador continuava liderando todos os cenários de primeiro e segundo turno, mantendo uma vantagem, no mínimo, confortável sobre os adversários.

 

Nos cenários de 2º turno, a vantagem sobre o tucano Perillo, que era de 52% contra 28% em maio, foi para 55% contra 29% em julho. Já contra Wilder Morais, a aposta bolsonarista para o governo do Estado, a tendência foi praticamente idêntica, saindo de 51% contra 27% para 54% contra 28% no levantamento mais recente.

 

A estabilização da liderança de Daniel ao mesmo tempo emque os pré-candidatos do PSDB e do PL intensificam suas agendas de pré-campanha ajudam a deduzir que o emedebista parece ter encontrado o caminho para “andar com as próprias pernas”, sem depender diretamente da força do caiadismo.

 

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O ex-governador, hoje no PSD de Kassab (que, inclusive, é pré-candidato a seu vice, conforme hipotetizado nos primórdios pela coluna Bastidores) está ocupado demais tentando convencer o Brasil de que pode ser presidente da República para dedicar tempo à pré-campanha estadual, e excetuando sua presença nos atos do Pra Frente Goiás, não liderou uma mobilização oficial do caiadismo em torno da pré-candidatura de Daniel.

 

É certo até para os mais desinteressados que isso torna a liderança do governador bem mais atraente do ponto de vista político: Daniel,ao que tudo indica, não está ganhando pesquisas apenas por ser o filho de Maguito ou por ter sido o escolhido de Caiado. Claro, há um componente que ajuda a entender e explicar esse fenômeno. Mas Daniel foi inteligente ao visualizar que o eleitor goiano não está procurando uma ruptura administrativa.

 

Em tempo: se há uma área em que o governador do Estado resolveu colocar suas digitais é a segurança pública, justamente aquela mais orgulhosamente exposta na vitrine por Caiado. Em poucos meses de governo, anunciou um pacote bilionário de valorização das forças de segurança, incluindo auxílio-alimentação de mil reais pra cerca de 24 mil servidores, reestruturações de carreira e benefícios funcionais. Também entregou veículos e equipamentos às corporações e intensificou uma agenda de combate ao crime organizado. Leia-se: o eleitor goiano pode discordar sobre quase tudo, mas não vai abrir mão dos (ótimos) indicadores conquistados.

 

Outro movimento dele está na tecnologia e inovação. O governador e pré-candidato à reeleição transformou o setor em outra vitrine administrativa. Projetos ligados ao ecossistema do Centro de Excelência em Inteligência Artificial, o Ceia, e o Distrito de Inovação ilustram bem a tentativa de posicionar Goiás como um polo tecnológico nacional.

 

Não se pode negar, é claro, que Daniel ainda colhe muitos dos frutos plantados por Caiado. Contudo, o que as pesquisas apontam já há algum tempo é que o atual governador já tem sua própria receita de como fazer um bom governo.

 

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