Caso Master: PF mira Ciro Nogueira e primo de Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero

Caso Master: PF mira Ciro Nogueira e primo de Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero

 

Operação Compliance Zero está na 5ª fase e investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Senador é alvo de busca e apreensão. Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em Minas Gerais.

 

Por Fábio AmatoReynaldo Turollo JrLéo ArcoverdeCaetano TonetAna Flávia Castro, TV Globo, g1 e GloboNews — Brasília

 

07/05/2026 07h06  Atualizado há um dia

 

Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (7) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.

 

O presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), está entre os alvos. A PF cumpre mandados de busca e apreensão em endereços dele em Brasília e no Piauí. Ele está proibido de manter contato com os demais investigados.

 

O irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, também é alvo de buscas. Além disso, segundo informações do blog da Camila Bomfim, no g1, o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, foi preso nesta manhã. Ele estava em Minas Gerais.

 

Na decisão, a PF “aponta a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.

 

A defesa do senador afirmou que ele está comprometido “em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, e está “à disposição para esclarecimentos”.

 

Os advogados acrescentaram que Ciro Nogueira repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

 

“Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, diz um trecho da nota.

 

g1 tenta contato com as defesas dos demais alvos.

 

Ciro Nogueira, senador do Progressistas pelo Piauí — Foto: Ascom Ciro Nogueira

Ciro Nogueira, senador do Progressistas pelo Piauí — Foto: Ascom Ciro Nogueira

 

Compliance Zero

Ao todo, policiais federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

 

A operação foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.

Na decisão, Mendonça afirma que há elementos que apontam a probabilidade de: corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

🔎 A PF investiga, na Operação Compliance Zero, um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

 

Ciro Nogueira seria ‘destinatário central’ de vantagens indevidas

A PF aponta que o senador Ciro Nogueira era o “destinatário central” das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro.

 

Segundo investigadores, Nogueira “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do dono do Banco Master. A informação consta no relatório da PF descrito na decisão que embasou a operação desta quinta.

Na parte financeira, a investigação aponta o recebimento frequente de vantagens, como pagamentos mensais, compra de participação em empresa com desconto considerado elevado, pagamento de despesas pessoais e uso de bens de alto valor. Também há indícios de recebimento de dinheiro em espécie.

Uma das vantagens citadas na decisão de Mendonça seria Ciro Nogueira ter pago R$ 1 milhão por ações de uma empresa de Vorcaro. Contudo, as ações seriam avaliadas em R$ 13 milhões.

De acordo com o blog da jornalista Andréia Sadi, a PF apontou o recebimento por parte de Ciro Nogueira de uma espécie de “mesada” paga por Vorcaro.

 

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