CPMI do INSS e investigações do Master estão prorrogadas

CPMI do INSS e investigações do Master estão prorrogadas

 

Por Alexandre Garcia

23/03/2026 às 21:47

 

André Mendonça prorrogou CPMI do INSS e investigação da PF sobre Banco Master. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

 

O ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o desvio nas contas dos velhinhos da Previdência, atendeu o pedido da chefia da CPMI do INSS, que também investiga o roubo de R$ 6 bilhões dos idosos, para prorrogar a comissão, que se extinguiria no próximo dia 28. Mendonça, que está mostrando ser o melhor e o mais confiável no Supremo – as pesquisas indicam – também já havia prorrogado a investigação sobre o Banco Master por parte da Polícia Federal.

 

A CPMI vai durar mais quatro meses, terá tempo de apurar muita coisa ainda. Os parlamentares estão examinando até as coisas do Master, naquilo que tem relação com o esquema. Há até uma sala blindada onde se guarda o material, as fotos, os vídeos das festas que Daniel Vorcaro oferecia às sedentas autoridades que queriam se divertir. Está blindado lá, talvez até para não desfazer casamentos, mas os representados – nós, os eleitores – temos todo o direito de saber como se portam os nossos representantes.

 

Justiça volta a impedir uso de patrimônio do DF para socorrer BRB

 

Ainda sobre o Master, a Justiça impediu de novo que o governo do Distrito Federal use, para salvar o BRB, o banco estatal local, imóveis que são patrimônio público – no caso, uma área de proteção ambiental da Terracap, com  716 hectares e avaliada em R$ 2,3 bilhões. O juiz aprovou uma ação movida pela senadora Leila Barros e por parlamentares do Partido Verde. O governador Ibaneis Rocha reclamou da decisão da Justiça, dizendo que é “falta de compromisso com o BRB”. Que incrível! Foi ele quem mobilizou todo mundo para comprar o Master. É esse o “compromisso” dele com o BRB?

 

Penduricalhos são parte da triste tradição brasileira de mordomias

 

Estou há 50 anos em Brasília, e já vi de tudo aqui. As mordomias são uma espécie de moda, assim como as promessas de acabar com elas. Eu lembro que repórteres iam até a Península dos Ministros, onde moravam os ministros, mexer no lixo para ver se encontravam alguma coisa. Um dia, encontraram filé no lixo de Arnaldo Prieto, ministro do Trabalho no governo Ernesto Geisel. O filé estava estragado, foi para o lixo; denunciaram que o ministro estava comendo filé. Depois Collor se elegeu como “caçador de marajás”; Lula perdeu a eleição porque ironizou, falou em “maracujá”. Tivemos mensalão, petrolão, tem de tudo neste país, e não para nunca.

 

Agora temos a história dos penduricalhos. Juízes, promotores, defensores públicos, advogados públicos se mobilizando para não perder os penduricalhos. Segundo um levantamento, eles custam cerca de R$ 15 bilhões por ano, com remunerações além do limite que está na Constituição brasileira. Imaginem aqueles que trabalham no Judiciário e que não respeitam a Constituição: que moral têm para condenar alguém que está desrespeitando a lei infraconstitucional? É um enorme paradoxo. Mas isso vem de longe, é tradição brasileira. Eu me lembro que Jânio Quadros mandou escrever na porta dos veículos oficiais “uso exclusivo em serviço”: só podiam usar quando estavam trabalhando, e não para transportar família de ministro do Supremo em São Luís, por exemplo.

 

Boletim Focus mostra que preocupações com economia estão crescendo

 

O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, mostrou as expectativas do mercado financeiro. A previsão de inflação para este ano está subindo, agora é de 4,17%; a meta é 3%. A estimativa para o PIB está inferior a 2%, é de 1,84%. E, pelo jeito que vão as coisas, pode piorar. Para o fim do ano, a projeção do mercado é Selic de 12,5% e dólar a R$ 5,40.

 

Há preocupações com o preço do diesel e até com desabastecimento, em relação à colheita em andamento de um grande produto, uma grande commodity agrícola, que é a soja. As colheitadeiras têm motores muito potentes que gastam muito diesel, mas o Brasil produz pouco diesel, depende muito da importação, embora o Brasil exporte petróleo. É uma questão de mercado. E até o fertilizante está mais caro com os problemas de navegação no Estreito de Ormuz.

 

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

 

Alexandre Garcia

 

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

 

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