Prisão de Daniel Vorcaro: Nova Fase da Operação Compliance Zero Abala o Caso Banco Master

Nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, a Polícia Federal (PF) deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master (liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025). A ordem partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu recentemente a relatoria do caso em substituição a Dias Toffoli.

 

Vorcaro foi detido em sua residência em São Paulo e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista, onde permanece à disposição da Justiça. Ele já havia sido preso em novembro de 2025 (durante tentativa de fuga do país), mas foi solto posteriormente e monitorado com tornozeleira eletrônica.

 

 

Motivos da Nova Prisão Preventiva

 

O ministro Mendonça contrariou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fundamentou a decisão em graves indícios de risco à investigação:

 

  • Liderança de organização criminosa (ORCRIM) com núcleos dedicados a fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e intimidações.
  • Ocultação de R$ 2,2 bilhões em contas, incluindo na do próprio pai (Henrique Vorcaro), ligado à gestora Reag.
  • Estrutura de vigilância e intimidação (descrita como “milícia privada”) para monitorar e ameaçar autoridades, investigadores, testemunhas e jornalistas.
  • Ameaças concretas, incluindo ordem para “quebrar os dentes” de um jornalista em assalto simulado.
  • Obstrução à Justiça via invasão ilegal de sistemas da PF, MPF, Interpol e até FBI, usando senhas roubadas para acessar informações sigilosas e antecipar ações investigativas.
  • Risco à integridade física de vítimas e testemunhas, além de possível continuação da ocultação de ativos.

A decisão destaca que a demora poderia permitir novas interferências e colocar pessoas em perigo.

 

Alvos e Medidas Cumpridas na Operação

 

  • 4 mandados de prisão preventiva: Além de Vorcaro, foram presos (ou se entregaram) comparsas, incluindo o cunhado Fabiano Campos Zettel (contador informal do grupo, responsável por pagamentos e cobranças).
  • 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
  • Bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões para interromper movimentações financeiras ligadas ao grupo.
  • Afastamento de servidores do Banco Central envolvidos (buscas e medidas cautelares contra ex-dirigentes por supostas “mesadas” e orientações fraudulentas).

Contexto do Escândalo Banco Master

 

O Banco Master expandiu rapidamente sob Vorcaro, mas foi liquidado após revelação de fraudes em títulos de crédito (incluindo carteiras falsas vendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões). O rombo total, somado ao Will Bank, pode alcançar dezenas de bilhões, com potencial impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no contribuinte.

 

A investigação aponta crimes como:

 

  • Gestão fraudulenta e emissão de títulos falsos.
  • Corrupção ativa (pagamentos a reguladores).
  • Lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Ameaças, invasão de dispositivos e obstrução de justiça.

 

Desdobramentos e Repercussões

 

A prisão ocorre em meio a especulações sobre delação premiada de Vorcaro, que poderia envolver nomes de alto escalão político e econômico. A mudança de relator (de Toffoli para Mendonça) acelerou as ações mais duras.

 

A Segunda Turma do STF (incluindo Toffoli) analisará em breve o referendo da decisão de Mendonça. O caso segue sob sigilo parcial, com perícias em celulares apreendidos (apenas parte analisada até agora) podendo revelar mais conexões.

 

O escândalo expõe falhas no sistema financeiro e na fiscalização, gerando debates sobre regulação bancária e combate à corrupção no setor. Fique atento: novas revelações devem surgir nos próximos dias.

 

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