Mortes no Hospital Anchieta: saiba quem são os três técnicos suspeitos de assassinar pacientes no DF

Mortes no Hospital Anchieta: saiba quem são os três técnicos suspeitos de assassinar pacientes no DF

 

Técnico de enfermagem, de 24 anos, admitiu crime ao ver imagens de circuito interno; ele é apontado como o executor. Duas colegas, de 28 e 22 anos, são acusadas de acobertar mortes. Os três estão presos.

 

Por Afonso FerreiraIana Caramori, Rita Yoshimine, Fernanda Bastos, g1 DF

 

20/01/2026 09h49  Atualizado há 19 horas

 

Os três técnicos de enfermagem suspeitos de terem assassinado três pacientes que estavam internados no Hospital Anchieta em Taguatinga, no Distrito Federal, foram identificados:

 

Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos;

 

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos;

 

Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

 

As identidades foram confirmadas pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren) à TV Globo. Os três suspeitos estão presos. O g1 tenta contato com as defesas dos suspeitos.

 

O técnico de enfermagem é apontado como o principal executor dos crimes. Ele confessou em depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (19). Marcela também confessou.

 

Veja os crimes pelos quais os suspeitos são investigados, segundo a Polícia Civil:

 

pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três suspeitos respondem por homicídio qualificado;

 

pela morte de João Clemente Pereira, o técnico e uma técnica respondem por homicídio qualificado;

 

pela morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.

 

Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta. — Foto: TV Globo/Divulgação

Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta. — Foto: TV Globo/Divulgação

 

Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia (saiba mais abaixo). Já as mulheres são acusadas de participar dos crimes “dando cobertura” ao outro técnico.

 

Depoimentos

 

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), Marcos chegou a negar o crime em um interrogatório, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram a ação.

 

Na delegacia, Marcela também negou o crime inicialmente, porém reconheceu ao ver as imagens e disse que se arrependia de não ter impedido o colega.

 

Ainda segundo a Polícia Civil, Marcos trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.

 

O técnico já estava trabalhando em outro local: uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica de outro hospital particular em Taguatinga.

 

A investigação continua para saber se existem outras vítimas no Anchieta ou em outros hospitais em que Marcos trabalhou.

 

Piora súbita

 

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução

 

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores.

 

Nas imagens das câmeras de segurança da UTI, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas.

 

As vítimas são:

 

a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga;

 

o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I;

 

o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos,

de Brazlândia.

 

Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem Marcos o usou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos.

 

“Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, disse o delegado Wisllei Salomão.

 

Em outra ocasião, o mesmo técnico usou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento.

 

Ele buscou o remédio na farmácia e aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica. A Polícia Civil do DF decidiu não divulgar o nome do medicamento.

 

Duas aplicações foram feitas no dia 17 de novembro do ano passado e a terceira no dia 1º de dezembro. Segundo a Polícia Civil, para disfarçar a autoria do crime, o técnico de enfermagem fazia massagem cardíaca nos pacientes para tentar reanimá-los.

 

Em nota, a família de João Clemente disse que acreditava que a morte tinha ocorrido por “causas naturais”. A informação sobre a suspeita de um crime só chegou na sexta (16).

 

Também em nota, o Hospital Anchieta disse que, “ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva”, instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial.

 

Hospital Anchieta em Taguatinga no DF. — Foto: TV Globo/Reprodução

Hospital Anchieta em Taguatinga no DF. — Foto: TV Globo/Reprodução

 

A nota diz ainda que as vítimas foram informadas das suspeitas, “prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora” (veja as íntegras das notas abaixo).

 

Prisões

 

De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

 

A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

 

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