Planaltina pode eleger Cláudio Abrantes e Pepa juntos na CLDF em 2026? A região norte tem chance histórica
Por redação do Diário do Planalto – Análise política local
Planaltina, a cidade-mãe do Distrito Federal, pode viver um momento inédito nas eleições de outubro de 2026: enviar dois deputados distritais à Câmara Legislativa (CLDF) simultaneamente, com Cláudio Abrantes (atual PSD/MDB em negociação) e Pepa (PP, União Progressista). Ambos têm raízes profundas na região e anunciaram pré-candidaturas recentes, mas o caminho para uma “dobradinha” depende de fatores como quociente partidário, divisão de votos e articulações políticas.
Cláudio Abrantes: Experiência e visibilidade no governo
O ex-deputado distrital (já eleito em mandatos anteriores) e atual secretário de Cultura e Economia Criativa do GDF, Cláudio Abrantes, anunciou sua pré-candidatura em dezembro de 2025, durante a tradicional Feijoada do Abrantes, em Planaltina. O evento reuniu milhares de pessoas na Chácara Nossa Senhora d’Abadia e contou com a presença de secretários do governo Ibaneis.
Abrantes planeja deixar a pasta em abril para se dedicar à campanha. Em 2022, obteve 20.254 votos pelo PSD, ficando como suplente — votação expressiva que o coloca como forte candidato. Com apoio do governo distrital e base histórica na cidade, ele busca retomar a vaga na CLDF, possivelmente migrando para legendas como MDB para ampliar chances.
Pepa: Mandato em exercício e consolidação na região norte
O deputado distrital em exercício, Pedro Paulo de Oliveira (Pepa, PP), eleito em 2022 com 15.393 votos, confirmou pré-candidatura à reeleição. Ele tem se destacado com avanços em mobilidade (terceira faixa da DF-020, BRT Norte), saúde, iluminação, asfaltamento e projetos sociais na região norte, incluindo Planaltina, Sobradinho e áreas rurais.
Pepa se firma como “puxador de votos” na federação União Progressista (PP + União Brasil) e ampliou influência além de Planaltina. Sua atuação territorial forte e o controle da “máquina do mandato” o posicionam como protagonista local.
A matemática eleitoral: Quociente e risco de divisão de votos
Nas eleições proporcionais para distrital no DF (24 vagas), o quociente eleitoral costuma ficar em torno de 65-75 mil votos, dependendo da participação. Em 2022, foi cerca de 69 mil.
- Se Abrantes repetir ou superar os 20 mil votos e Pepa crescer para 18-25 mil (projeções baseadas em sua trajetória atual), ambos podem entrar: um via quociente do seu partido (PSD ou novo) e outro pelo PP/União.
- O principal risco é o “cânibalismo” de votos em Planaltina — se os dois concentrarem esforços na mesma base, podem enfraquecer as legendas e beneficiar concorrentes de outras regiões.
Fontes próximas indicam que há diálogo entre os grupos, com parcerias pontuais, mas o cenário atual aponta mais para disputa do que aliança explícita.
Análise final: Possibilidade real, mas depende de estratégia e união
Sim, Planaltina pode eleger os dois em 2026 — seria histórico, dando voz dupla à região norte na CLDF, com um na base governista (Abrantes) e outro com perfil mais independente/territorial (Pepa). Isso traria mais atenção para demandas como infraestrutura na BR-020, regularização fundiária, saúde e educação.
No entanto, o maior obstáculo é a divisão natural de votos no reduto comum. Se houver “sangria” excessiva, um pode entrar e o outro ficar de fora novamente. O sucesso depende de:
- Cada um consolidar sua base sem roubar votos do outro em excesso;
- Partidos atingirem quocientes sólidos nas convenções (agosto 2026);
- E o eleitorado priorizar o trabalho individual em vez de polarizações.
Com o crescimento da região norte e demandas acumuladas, uma dobradinha seria um marco para Planaltina. Faltam ainda meses de campanha, alianças e pesquisas — mas o potencial existe. A cidade decide nas urnas.


