Operação no Jacarezinho deixa 25 mortos, provoca intenso tiroteio e tem fuga de bandidos

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Operação no Jacarezinho deixa 25 mortos, provoca intenso tiroteio e tem fuga de bandidos

Por Diego Haidar, Elza Gimenez, Filipe Fernandes, Guilherme Peixoto e Henrique Coelho, TV Globo e G1 Rio

 

Uma operação da Polícia Civil do RJ contra o tráfico de drogas no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, deixou 25 pessoas mortas e provocou um intenso tiroteio no início da manhã desta quinta-feira (6).

Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e a plataforma Fogo Cruzado, trata-se da operação policial mais letal da história do Rio.

policial civil André Farias foi baleado na cabeça e morreu, segundo a polícia.

A corporação afirma ainda que 24 criminosos foram mortos, mas não esclareceu quem são as vítimas e a situação em que foram atingidas.

Em coletiva à tarde, o delegado Rodrigo Oliveira, da Core, disse que dois dos mortos foram alvejados quando atacaram policiais que faziam a perícia no local de outras mortes.

Seis pessoas foram presas e armas foram apreendidas (mais detalhes abaixo).

Pelas redes sociais, moradores relataram mais mortes que as computadas, além de corpos no chão, invasão de casas e celulares confiscados. À tarde, eles chegaram a fazer um protesto na comunidade. A polícia negou que fez qualquer execução durante a operação.

“Se alguém fala de execução nessa operação, foi no momento em que o policial foi morto com um tiro na cabeça “, disse o delegado Rodrigo Oliveira, da Core.

Dois passageiros do metrô foram baleados dentro de um vagão da linha 2, na altura da estação Triagem, e sobreviveram. Um morador foi atingido no pé, dentro de casa, e passa bem. Dois policiais civis também se feriram.

Vídeos registraram o som de rajadas, e explosões de bombas foram registradas em diferentes pontos da favela.

Moradores contaram que não conseguiam sair de casa — como uma noiva de casamento marcado e uma grávida com cesariana agendada, ambas para esta manhã. Devido ao confronto, a Clínica da Família Anthidio Dias da Silveira e outros dois postos de vacinação contra a Covid precisaram ser fechados.

Segundo a Polícia, até 15h30, a operação tinha apreendido:

  • 15 pistolas

  • 6 fuzis

  • 1 sub-metralhadora

  • munição antiaérea

 

Detalhe da munição anti-aérea apreendida no Jacarezinho — Foto: Eliane Santos/G1

Detalhe da munição anti-aérea apreendida no Jacarezinho — Foto: Eliane Santos/G1

A ação envolveu:

  • 250 polícias

  • 4 blindados

  • 2 helicópteros

 

Familiares de homem morto em confronto no Morro do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, são vistos na emergência do hospital nesta quinta-feira (6) — Foto: Betinho Casas Novas/Futura Press via Estadão Conteúdo

Familiares de homem morto em confronto no Morro do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, são vistos na emergência do hospital nesta quinta-feira (6) — Foto: Betinho Casas Novas/Futura Press via Estadão Conteúdo

Operação Exceptis investiga o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas, como assassinatos, roubos e até sequestros de trens da Supervia. A polícia afirma que o tráfico da região adota táticas de guerrilha, com armas pesadas e “soldados fardados”.

O Jacarezinho é considerado uma base do Comando Vermelho, a maior facção do tráfico de drogas em atividade no Rio. A comunidade é predominantemente plana, repleta de ruelas e cercada de barricadas instaladas pelo crime — o que dificulta o acesso de blindados, por exemplo.

O Globocop flagrou às 6h45 policiais avançando pelos trilhos da Supervia e do metrô — que cortam o Jacarezinho na superfície — e se abrigando em postes. Helicópteros da polícia, em apoio às equipes em terra, davam rasantes na comunidade.

Às 7h30, criminosos com fuzis foram vistos pulando de laje em laje, em fuga. Os homens passavam as armas de mão em mão pelos muros enquanto corriam pelos telhados das casas.

Policiais civis durante a operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Policiais civis durante a operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (6) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters