Operação Fantoche também apura irregularidades envolvendo o Ministério do Turismo. Nove outras pessoas são alvo de mandados de prisão.

Por G1 PE e Camila Bonfim, TV Globo

 19/02/2019 07h16  

 

 

Documentos apreendidos na Operação Fantoche chegam à sede da Polícia Federal, no Recife, nesta terça-feira (19) — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

 

 O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, foi preso pela Polícia Federal, nesta terça-feira (19), dentro da Operação Fantoche, que investiga um esquema de corrupção envolvendo contratos com o Ministério do Turismo e entidades do Sistema S. 

 

A investigação aponta que um grupo de empresas, sob o controle de uma mesma família, vem executando contratos, desde 2002, por meio de convênios tanto com o ministério, quanto com as entidades. Eles já receberam mais de R$ 400 milhões. Foram emitidos, ao todo, dez mandados de prisão.

 

Entre os alvos já localizados pela PF está também o empresário Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, um dos donos da Aliança Comunicação. Ele já havia sido preso pela PF em 2013, na Operação Esopo.

 

São cumpridos outros 40 de busca e apreensão no Distrito FederalPernambucoSão PauloParaíbaMato Grosso do SulMinas Gerais e Alagoas. Segundo a PF, são investigadas a prática de crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos.

 

A operação conta com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU). A investigação aponta que o grupo costumava utilizar entidades de direito privado sem fins lucrativos para justificar os contratos e convênios diretos com o ministério e unidades do Sistema S.

 

A maioria dos contratos eram voltados à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados ou que não foram concluídos, com recursos desviados em favor do núcleo empresarial por meio de empresas de fachada, de acordo com a PF.

 

A 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco ainda autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados.

 

Confira quem são os presos na Operação Fantoche:

 

Robson Braga de Andrade - presidente da CNI

 

Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva - empresário e um dos donos da Aliança Comunicação. Ele já havia sido preso pela PF em 2013, na Operação Esopo

Ricardo Essinger - presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe)

 

Francisco de Assis Benevides Gadelha - conhecido como Buega Gadelha, é presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB). A Fiep-PB afirmou que Buega cumpre agenda em Brasília (DF)

 

José Carlos Lyra de Andrade - presidente da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA)

 

Lina Rosa Gomes Vieira da Silva - empresária e publicitária, ligada à Aliança Comunicação

 

Hebron Costa Cruz de Oliveira - advogado e presidente do Instituto Origami

 

Jorge Tavares Pimentel Junior

 

Júlio Ricardo Rodrigues Neves - sócio da Idea Locação de Estruturas e Iluminação

 

Luiz Antônio Gomes Vieira da Silva - ligado à Aliança Comunicação

Procurado pelo G1, o Ministério do Turismo afirmou que a atual gestão determinou "uma auditoria completa em todos os convênios da pasta e cancelou convênio no valor de R$ 1 milhão antes mesmo de tomar conhecimento da investigação da Polícia Federal". A pasta aponta, ainda, que nenhum contrato foi assinado nesta gestão e que está à disposição.

 

Mandados

 

São 23 mandados de busca e apreensão em Pernambuco e sete de prisão temporária. A Casa da Indústria, na região central do Recife, está entre os locais em que as equipes da PF foram durante a manhã.

 

Entre os alvos da Operação Fantoche estão o Instituto Origami, Aliança Comunicação e Cultura, Idea Locação de Estruturas e Iluminação, Somar Intermediação e Negócios e Ateliê Produções Artísticas. O G1 tenta contato com as empresas.

 

Além dos sete mandados de prisão temporária em Pernambuco, são cumpridos outros três em Nova Lima (MG), Maceió (AL) e Campina Grande (PB).

 

 

 





















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