Estudante estava bastante nervoso, segundo o delegado, porque corria o rumor de que ele seria desligado de programa educacional

 

A Polícia Civil de Goiás acredita que o estudante Anderson Silva (foto em destaque), 18 anos, teve um surto psicótico. O jovem é acusado de esfaquear e matar o professor e coordenador pedagógico Bruno Pires de Oliveira, 41, nesta sexta-feira (30/08/2019), na Escola Municipal Machado de Assis, em Águas Lindas de Goiás.

Segundo o delegado plantonista de Águas Lindas, Rodrigo Mendes, Anderson “estava muito nervoso” na última aula do dia, por volta das 11h55. O suspeito se encontrou com Bruno no estacionamento, no momento em que o professor se dirigia até a sua moto para retornar a casa, ocasião em que o rapaz desferiu um único golpe de faca e fugiu. A lâmina perfurou o fígado do docente, que tinha contrato temporário.

“Bruno entrou na sala dos professores e disse que o ‘Anderson Grandão’ o havia atacado. Uma professora nem acreditou e chegou a sair para ver se encontrava o jovem. A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital”, detalha o delegado Mendes.

O apelido “Grandão” foi usado pelo educador para se referir a Anderson, pois ele é bem mais alto do que colegas de turma. Aos 18 anos, ele cursa o 9º ano do ensino fundamental, com alunos entre 14 e 15 anos de idade.

“A gente ainda está investigando, mas há a hipótese de que ele tenha surtado. O Anderson não é um aluno com histórico de violência, não possui passagens pela polícia, mesmo quando menor, e, apesar de nunca ter tido boas notas, também nunca foi agressivo. Era um aluno aparentemente tranquilo”, conta Mendes. De acordo com o investigador, os pais do menino eram participativos na comunidade escolar.

Quando Anderson saiu da última aula desta sexta-feira, a professora estranhou o comportamento do rapaz. O motivo da raiva e nervosismo foi um burburinho que se espalhou pelo colégio de que ele seria desligado do programa Mais Educação, direcionado a alunos dos 6° e do 7° ano e focado em atividades pedagógicas e esportivas. “Pelo visto, ele gostava muito desse programa e a escola não confirmou o desligamento”, acrescentou o delegado.

A morte

Logo após o crime, o estudante fugiu e, até a última atualização deste texto, não havia sido capturado. O educador chegou a ser encaminhado com vida para o Hospital Municipal Bom Jesus, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade.
Funcionários do colégio tentaram, por diversas vezes, ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas os telefonemas não foram atendidos, segundo relatou o delegado.

O professor, então, foi colocado no carro de uma colega de trabalho e levado à unidade do Samu em Águas Lindas. Os socorristas fizeram o atendimento emergencial e levaram a vítima de ambulância para o hospital.

Com cartazes pedindo paz, centenas de pessoas vinculadas à comunidade do Colégio Machado de Assis fizeram uma passeata, que partiu da escola, contornou a quadra pela marginal da BR-070 e retornou à unidade na noite desta sexta (30/08/2019).

“Melhor professor”

Bruno lecionava história e geografia, e também ocupava o posto de coordenador pedagógico. Era muito querido por alunos, pais e professores. “Era o melhor professor do colégio”, destacou a vigilante Socorro Souza, 47 anos, mãe de quatro jovens que tiveram aula com ele.

A vigilante também foi uma de suas estudantes, no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Minha menina chegou chorando em casa, falando que tinham matado o professor. Eu fiquei desesperada e corremos para cá, onde descobrimos o que aconteceu. Agora, vamos cobrar mais segurança”, conta.

Ex-aluna de Bruno Pires, Natasha Almeida, 20 anos, diz que nenhum dos colegas dos tempos de ensino fundamental e médio teve problemas com Bruno. “Ele, por ser coordenador, tinha de impor disciplina, colocar quem estivesse atrapalhando as aulas para fora de sala e conversar com os bagunceiros. Respeitavam muito ele”, lembra Natasha.

Nota de pesar

À noite, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), publicou nota de pesar. “Que nossas orações ajudem a trazer conforto à família do professor e à comunidade escolar. Não podemos mais conviver com a violência nas nossas escolas. Construir a cultura da paz no ambiente escolar é um desafio grande e urgente. É tarefa de todos nós, ou a paz não será de ninguém”, disse.

 

Fonte: Metrópoles DF 





















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