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Esposa de ex-deputado preso pela PF no Amapá tem cargo no gabinete de Davi Alcolumbre

Esposa de ex-deputado preso pela PF no Amapá tem cargo no gabinete de Davi Alcolumbre

Senador é primo de Isaac Alcolumbre, preso nesta quarta-feira (20) em operação que investiga tráfico internacional de drogas.

Por G1 AP — Macapá

20/10/2021 19h25  Atualizado há uma hora

A esposa do ex-deputado estadual pelo AmapáIsaac Alcolumbre, preso nesta quarta-feira (20) pela Polícia Federal, está lotada desde 2015 no gabinete do senador Davi Alcolumbre. Isaac e Davi são primos e a mulher ocupa o cargo de ajudante parlamentar pleno com salário mensal de R$ 3,8 mil.

Vânia Maria Fernandes de Souza Alcolumbre está lotada no escritório de Davi em Macapá, mesma cidade onde o marido foi preso no âmbito da operação Vikare, que apura um esquema criminoso de tráfico internacional de drogas.

Isaac é o proprietário de um aeródromo – um pequeno aeroporto – a 12 quilômetros da área urbana de Macapá onde, segundo a PF, funcionava uma espécie de “base” para abastecimento de combustível e manutenção de pequenas aeronaves vindas da Colômbia e Venezuela que distribuíam drogas para outras regiões do Brasil a partir do Amapá.

Operação Vikare - PF cumpriu mandados no aeródromo de propriedade de Isaac Alcolumbre' — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Operação Vikare – PF cumpriu mandados no aeródromo de propriedade de Isaac Alcolumbre’ — Foto: Polícia Federal/Divulgação

A PF cumpriu mandados no local e apreendeu aeronaves e diversos carros de luxo que estavam guardados no aeródromo.

A defesa do ex-deputado negou as acusações de tráfico de drogas completando que “não está envolvido em nada”.

“Vamos comprovar de maneira muito tranquila que o senhor Isaac Alcolumbre jamais teve qualquer tipo de ligação com o tráfico internacional de drogas ou qualquer outro tipo de ilícito nesse quadro”, declarou o advogado Carlos Alberto Araújo de Souza.

O senador Davi Alcolumbre, mesmo sem ser alvo da operação, comentou em nota a ação. Disse que soube da operação pela imprensa, confirmou que um parente é investigado.

“O senador espera que a Polícia Federal cumpra de forma institucional com o seu dever”, diz a nota. Questionado sobre a nomeação de Vânia, não houve resposta.

Portal da Transparência do Senado mostra nomeação de esposa de Isaac Alcolumbre — Foto: Reprodução

Portal da Transparência do Senado mostra nomeação de esposa de Isaac Alcolumbre — Foto: Reprodução

Balanço da operação

A PF divulgou na tarde desta quarta-feira, o balanço da Vikare. Do total de mandados de prisão, 16 foram cumpridos, além de 51 mandados de busca e apreensão. Entre os veículos, foram 36 recolhidos, além de uma moto.

Em valores entre reais e dólares foram quase R$ 900 mil, dos quais R$ 769,5 mil apenas no Amazonas e R$ 108,5 mil no Amapá. Também foram encontradas armas e munições.

Mandados foram cumpridos em 15 cidades de 9 estados: Amapá, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Ceará e Piauí.

Operação Vikare

No aeródromo, a 12 quilômetros da área urbana de Macapá, segundo a PF, funcionava uma espécie de “base” para abastecimento de combustível e manutenção de pequenas aeronaves vindas da Colômbia e Venezuela que distribuíam drogas para outras regiões do Brasil a partir do Amapá.

O aeródromo construído com acesso pela Rodovia AP-070 é normalmente usado por pequenas aeronaves para transporte de cargas, passeios e atividades de paraquedismo.

O fato que motivou toda a operação aconteceu após a descoberta de destroços de um avião em maio de 2020 numa área isolada do município de Calçoene, no extremo norte do Amapá.

A PF monitorava movimentações suspeitas de aeronaves quando encontrou os destroços. A investigação apontou que o veículo foi incendiado de propósito para esconder a prática.

No local onde o avião foi achado, outros indícios do tráfico de drogas foram percebidos, como uma vala destinada ao armazenamento das drogas.

Operação Vikare - Agentes cumprindo mandados em residência — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Operação Vikare – Agentes cumprindo mandados em residência — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Daí então, foi descoberta uma cadeia de ocorrências que levou à identificação dos envolvidos, entre eles, o fato de que outra aeronave pousou em Calçoene para transportar os tripulantes e carga do avião incendiado.

Esta segunda aeronave teria sido vendida, em novembro do ano passado, para uma pessoa presa no Pará com 450 quilos de skank, espécie de maconha com maior concentração de substâncias psicoativas.

O avião partiu do mesmo aeródromo em Macapá alvo das investigações. Além de oferecer o apoio logístico, a pista de pouso contava ainda com um sofisticado “serviço” de manutenção com fornecimento de mecânicos, pilotos e operadores financeiros.

Operação Vikare - dinheiro e armas apreendidas em ação que ocorre emq 9 estados — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Operação Vikare – dinheiro e armas apreendidas em ação que ocorre emq 9 estados — Foto: Polícia Federal/Divulgação

“O local também foi utilizado como ponto de apoio para realização dos preparativos da aeronave de modo a deixá-la em condições para voar com autonomia para longas distâncias, como retirada de bancos, fornecimento de combustível em carotes, o que é proibido, e assim trazer a maior quantidade de drogas possível”, informou a Polícia Federal.

Além das aeronaves, a operação descobriu que empresas de fachada em outros estados integravam o grupo criminosos para ocultar o dinheiro captado ilegalmente.

Entre as empresas identificadas, está uma do ramo de cosméticos com sede em Sorocaba, em São Paulo. Foi identificado que a proprietária, uma colombiana, usava produtos químicos da empresa para auxiliar no refino de drogas.

Crimes como tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro podem ser atribuídos aos investigados, com penas que chegam a 51 anos de prisão.

Operação Vikare - quantia em dinheiro apreendida pela PF — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Operação Vikare – quantia em dinheiro apreendida pela PF — Foto: Polícia Federal/Divulgação

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