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Capitólio: Corpo de Bombeiros confirma 10 mortos após queda de paredão

Capitólio: Corpo de Bombeiros confirma 10 mortos após queda de paredão

 

No sábado (8), a queda de um paredão atingiu quatro embarcações; mais de 20 foram atendidas em hospitais da região. As buscas por desaparecidos continuam neste domingo (9).

 

Por Nathália Alves, g1 Centro-Oeste de Minas — Capitólio

09/01/2022 14h58  Atualizado há 9 minutos

 

Mais dois corpos foram localizados após a queda de um paredão no Lago de Furnas, em Capitólio. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros durante coletiva de imprensa neste domingo (9). As buscas continuam para encontrar outra pessoa que está desaparecida (a reportagem está em atualização).

Segundo os bombeiros, partes de corpos foram encontrados e encaminhados para a Polícia Civil. As buscas continuam neste sentido até segunda-feira (10), pelo menos.

Um dos cânions atingiu quatro embarcações, com pelo menos 34 pessoas, no sábado (8), e causou 10 mortes. Um vídeo mostra o momento em que um dos cânions atinge as lanchas (veja acima).

Pedra desliza sobre turistas em Capitólio — Foto: Reprodução

Pedra desliza sobre turistas em Capitólio — Foto: Reprodução

 

Buscas neste domingo

Segundo balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros na manhã deste domingo, 50 militares estão empenhados na operação de busca, entre bombeiros militares e militares da Marinha do Brasil; 11 mergulhadores dos bombeiros empenhados, especialistas nesse tipo de operação e já familiarizados com a área de busca; 4 lanchas e 3 motos aquáticas da Marinha e dos bombeiros lançadas no local de busca já delimitado, além do apoio de 7 viaturas.

 

Veja o que se sabe até agora:

 

O deslizamento ocorreu por volta de 12h30. Ainda não se sabe o que causou o acidente

Quatro embarcações foram atingidas, segundo os bombeiros

Dez pessoas morreram. Ao menos 2 seguem internadas

Uma equipe de mergulhadores está no local e não há previsão de término das buscas (elas foram suspensas durante a noite e foram retomadas no domingo)

 

27 pessoas foram atendidas e liberadas

A primeira informação dos bombeiros dava conta de 20 desaparecidos, mas o número foi atualizado para 3

Bombeiros e Polícia Civil estão no local; a Marinha foi acionada e vai investigar a causa

Defesa Civil havia emitido um alerta sobre chuvas intensas na região com possibilidade de “cabeça d’água”; Marinha também investiga por que os passeios foram mantidos

 

Mortes

 

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou 10 mortes pelo deslizamento.

Já foram confirmados que entre as vítimas, há 4 mulheres e 4 homens; não foram divulgados os outros gêneros.

 

Informações sobre os corpos encontrados:

 

Júlio Borges Antunes, de 68 anos, natural de Alpinópolis (MG);

Piloto da lancha Jesus, 40 anos, Natal de Betim (MG);

Mulher, 43 anos, natural de Cajamar (SP);

Mulher, 18 anos, natural de Paulínia (SP), filha da mulher de 43 anos;

Homem, 67 anos, natural de Anhumas (SP);

Mulher, 57 anos, natural de Itaú de Minas (MG), esposa do homem de 67 anos;

Homem, 24 anos, natural de Campinas (SP);

Homem, 35 anos, natural de Passos (MG);

 

Desaparecidos

 

Segundo a Polícia Civil, ainda estão sendo procurados:

Adolescente, 14 anos, natural de Alfenas (MG), neto do casal de 67 e 57 anos;

Homem, 37 anos, natural de Itaú de Minas (MG), filho do casal de 67 e 57 anos e pai do adolescente;

 

Feridos

 

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 32 pessoas foram atendidas por causa do acidente, a maioria com ferimentos leves.

Dessas, 27 foram atendidas e liberadas: 23 delas da Santa Casa de Capitólio e outras 4 da Santa Casa de São José da Barra, a 46 km de Capitólio.

2 pessoas com fraturas expostas foram para a Santa Casa de Piumhi, a cerca de 23 km de Capitólio;

Um paciente internado na Santa Casa de Passos, a 74 km de Capitólio, é um jovem de 26 anos e morador de Pimenta (MG). Ele será deve ser operado nesta segunda-feira (10) e em seguida deve ter alta; a terceira pessoa que estava internada em Passos foi para um hospital particular e está estável.

Ninguém foi identificado até agora. Guarnições de Passos e Piumhi foram deslocadas para a região para prestar atendimento às vítimas.

 

Feridos em acidente em Capitólio (MG) foram levados para cidades próximas; veja no infográfico — Foto: G1

Feridos em acidente em Capitólio (MG) foram levados para cidades próximas; veja no infográfico — Foto: G1

 

Lugar turístico

 

A região de Capitólio e outras cidades banhadas pelo Lago de Furnas, no Centro-Oeste de Minas, é bastante procurada por turistas por sua beleza natural.

Assim como outras partes do estado, a região tem sido atingida pelas chuvas recentes: na sexta-feira (7), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um alerta de chuvas intensas, que durariam até a manhã deste sábado.

Neste sábado (8), Defesa Civil de Minas Gerais havia feito um alerta sobre chuvas intensas e a possibilidade de ocorrências de “cabeça d’água’ em Capitólio, mas não há confirmação que essa foi a causa do acidente. A Marinha disse que investiga o motivo de os passeios serem mantidos.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas, Pedro Aihara, explicou que a formação rochosa do local é do tipo sedimentar, o que torna as estruturas dos paredões frágeis, e a quantidade de chuvas agravou a situação por acelerar a erosão. Veja a explicação sobre a situação do solo:

“A gente tem uma formação rochosa que é basicamente composta por rochas sedimentares, então são rochas que naturalmente têm uma resistência muito menor à atuação dos ventos, da água, dos elementos naturais que atuam sobre a região”, explicou Aihara.

“Uma outra situação que acabou infelizmente agravando foi porque a rocha cai numa trajetória perpendicular. Geralmente, quando a gente tem ruptura por tombamento, a rocha sai de uma forma mais fatiada, ela escorre por aquela estrutura e cai de uma forma ou diagonal ou então mesmo em pé. Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular, e pelo tamanho da rocha, a gente acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas”, explicou o bombeiro.

Para o especialista em gerenciamento de risco, Gustavo Cunha Melo, uma tromba d’água – inicialmente citada pelos bombeiros como motivo do deslizamento – pode ter agido como um gatilho para o deslizamento, mas não foi necessariamente a causa do problema.

Para Melo, a rocha se desprenderia de qualquer jeito, por causa da erosão:

“Essa rocha já estava com muita erosão, totalmente fragmentada, ela iria desabar em algum momento. A tromba d’água pode explicar o desabamento neste momento? Pode, assim como também não precisava nada – ela ia desabar em algum momento por erosão, por um processo natural”, afirmou.

Nestes casos, segundo o especialista, o gerenciamento de risco consiste em isolar o local.

“Não tem muito o que fazer nessas situações. O gerenciamento de risco é: manter distância. Você tem que isolar a área. A única gestão de risco que é feita é isolar a área. Infelizmente ali as embarcações estavam muito próximas e o desabamento aconteceu nesse mesmo momento”, explicou Melo.

O geólogo Fábio Braz, da Sociedade Brasileira de Geologia, relacionou o desprendimento das rochas às chuvas – intensas e por um longo período – e classificou o acidente como “raro”:

“Fica cada vez mais evidente que realmente as fortes chuvas contribuíram para a queda desse bloco. Esse fraturamento vertical é típico de regiões de cânion. A gente também observa nos cânions do Rio São Francisco o mesmo tipo de feição”, explicou.

“É um fenômeno raro. Não descaracteriza o apelo turístico da região de Capitólio. É preciso, sim, que sejam tomadas, a partir dessa tragédia, as precauções necessárias, as distâncias, que seja calculado por especialistas na área de geotecnia qual a distância segura desses paredões”, disse Braz.

 

Passageiros tentaram avisar

Um segundo vídeo mostra passageiros de uma das lanchas tentando avisar sobre o deslizamento da pedra segundos antes de ela cair:

 

Pedra desliza sobre turistas em Capitólio — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Pedra desliza sobre turistas em Capitólio — Foto: Redes Sociais/Reprodução

 

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